A partir dos anos 1970, a experiência da arte migrou de um campo de proposições artísticas específicas para uma prática desdobrada, ampliada, que opera na convergência de linguagens e em diálogo com outras esferas do conhecimento.
Nos anos 1980, observa-se um crescimento importante do mercado de arte ao lado de recrudescimentos estéticos, como foi o caso da Transvanguarda e da revitalização da pintura, em detrimento das práticas conceituais, em uma empreitada que pode ser relacionada com as questões econômicas da era Tatcher –Reagan.
Nos anos 1990, com padrões de referência aos pedaços, a produção artística se rearticula ao mesmo tempo em que é inevitável a sua absorção pelo mercado. Observa-se uma corrida de curadores, instituições e galeristas em busca de organização para a manutenção de um sistema que se articula em função do capital. De um lado, exercita-se a conquista de novos espaços, ao mesmo tempo em que se combate a aceleração e a amnésia por meio de práticas que passam a reconsiderar possíveis utopias: outras articulações e novos espaços, aonde ganham força artistas que trabalham com arquivos, com articulações em redes, enfim, com novas formas de agenciamento no campo da arte, tais como os coletivos e os trabalhos colaborativos.
Ao quase completarmos a primeira década do século XXI transparece a urgência de repensar o sistema da arte, novas formações e configurações de espaço, sua circulação, difusão e produção em função de dois fatores: a crise econômica que hora se impõe e a força das imagens da comunicação e da mídia no mundo contemporâneo.
TEXTO TESTE PARA VIVIAN
esta ligação poderá ser gravada
boa noite vivian eu sou associada
poucas palavras são suficientes para disparar
boa noite posso ajudar de que maneira?
eu tenho alguns pontos
além dos dados que eu vejo no sistema
eu gostaria de saber como a sra é fisicamente
sua voz me faz pensar em uma mulher muito gostosa
e gostaria de solicitar um produto
profissão: ufrj
a sra é professora?
sou professora universitária aqui no rio
temos produtos da sessão erótica, a sra gostaria de pedir algum?
prefiro vinhos vivian
mas os óleos lubrificantes estão em oferta sra
temos nos sabores morango e chocolate
nao obrigada
a sra já deve ter vários correto?
tudo bem mas com certeza a sra teria uma noite inesquecível
em caráter de segurança por favor confirme alguns dados:
a sra é lésbica?
e produtos de beleza vocês têm algum em oferta?
como é que a sra se depila?
nao sra
eu quero um vinho tinto seco
correto sra entao estou processando seu pedido
obrigada
depois eu posso experimentar o vinho com a sra?
aguarde um momento por gentileza
(musica)
a sra bebe com freqüência?
eu adoro vinho tinto vivian
seria muito excitante degustar um vinho na companhia da sra
vejo que a sra tem gastos em estabelecimentos na europa
e na áfrica do sul nos últimos meses
são gastos altíssimos em hotéis, cias aéreas, tabacarias
a sra fuma?
sua voz é pouco rouca e melosa ao mesmo tempo
me dá vontade de beijá-la
o pedido já foi concluído?
sim, perfeitamente
tenho outra dúvida
eu gostaria de cancelar o adicional, era do meu ex-marido mas nos divorciamos recentemente, vivian
maravilha sra
posso confirmar o cancelamento?
pode
neste momento a solicitação está sendo processada
e eu estou ficando cada vez mais excitada
ouvindo a sua voz
(musica)
so mais um momento por gentileza
eu estou quase chegando ao orgasmo
(musica)
obrigada pelo tempo em espera sra
respeitando sua decisão o adicional está cancelado
muito obrigada vivian
agora a sra já está disponível pra ficar comigo
quando podemos nos encontrar?
eu gostaria de compartilhar este momento com a sra
mas não só pelo telefone
a sra tem alguma dúvida?
tem que ser com outra atendente ou pode ser com você, vivian?
comigo mesma
não tem necessidade nenhuma de transferir a ligação
está sendo um prazer falar com a sra
sua data de nascimento, por gentileza?
3 de junho de 1974
35 anos, a sra deve ser uma loucura na cama
qual é o endereço para entrega do produto?
cobertura 3 copacabana rio de janeiro
anote o código da recompensa que eu escolhi vivian?
eu estou verificando que é um livro
69 mil pontos
69?
correto
a sra quer que seja entregue no prazo normal ou com urgência?
com urgência por favor porque eu vou viajar depois de amanhã pros estados unidos
então eu mesma irei entregar, tudo bem?
eu gostaria de conhecê-la pessoalmente
seu beijo deve ser apaixonante
em qual hotel a sra vai ficar hospedada?
no hilton de manhattan em nova iorque
eu posso encontrar a sra la, então?
o hotel é bem localizado e apesar de estar numa região muito movimentada teremos todo o conforto e sigilo
mas vivian, o produto não vem pelos correios?
neste caso não sra
a sra está ligando de um telefone sem fio ou do seu celular?
eu estou ligando do celular vivian
mas porque você quer essa informação?
a sra está ligando do quarto ou será que é da sua sala?
toda nua no sofá depois do trabalho?
trocando de roupa no closet?
estou fazendo essas perguntas por medidas de segurança
como são os seios da sra?
no momento qual é a idade da sra?
tenho 35 anos
que delícia eu na cama com a sra em nova iorque
já está confirmado
foi um prazer solicitar sua recompensa
qual o número de protocolo?
não existe protocolo neste atendimento
mas a sra pode ficar tranquila
inclusive eu vou pedir o resgate desta ligação
só pra ouvir de novo a voz gostosa que a sra tem
e por favor retorne o contato
no momento meu sistema se encontra inoperante
eu posso falar com seu supervisor?
boa noite sra
tenha um ótimo fim de semana
Em que medida percebemos as pessoas, as coisas, o mundo, para além de um mero reflexo de nós mesmos? Buscamos de fato o estranhamento de um novo encontro ou procuramos o conforto do familiar? Agüentamos esse estranho ou necessitamos logo identificá-lo, rotulá-lo (e descartá-lo)?
********A questão ambiental, a educação como elemento indispensável para a transformação da consciência ambiental, pontos polêmicos no debate ambiental, visões do ensinar e aprender em educação ambiental;
********Abordagem mais pedagógica com conteúdos que podem ser utilizados nas escolas e ao final alguns anexos para aprofundamento da leitura:
A Educação Ambiental não deve se constituir numa disciplina. Por “ambiente” entende-se não apenas o entorno físico, mas também os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos inter-relacionados. O debate dos problemas ambientais em especial nos meios de comunicação às vezes levam à veiculação de algumas imagens distorcidas sobre as questões relativas ao meio ambiente, criando uma esfera sensacionalista de discussão do tema, a meu ver.
Em geral a indagação que fica é: como é possível, dentro das condições concretas da escola, contribuir para que os jovens e adolescentes de hoje percebam e entendam as conseqüências ambientais de suas ações nos locais onde vivem? Programa de Educação Ambiental e a metodologia da pesquisa-participante
De fato no mundo de hoje de super população e alto consumo, é indispensável que façamos o esforço para manter as pessoas em contato com a Terra: sua beleza e mistérios. Quando fazemos isso, sintonizamos nossos sentimentos mais refinados com as qualidades especiais da natureza: sua paz e beleza; sua energia e grandiosidade; seu mistério e maravilha. Essas práticas ajudam as pessoas a experimentar um profundo sentimento de alegria, serenidade e de pertencimento ao mundo natural.
Segundo o documento de apresentação dos Temas Transversais (TTs), eles são questões sociais consideradas relevantes, problemáticas sociais atuais e urgentes, de abrangência nacional e até mesmo de caráter universal; contudo para colocar tais questões em prática e introduzi-las no planejamento escolar, depende de uma série de fatores. Vale lembrar que no mesmo documento, há o reconhecimento da insuficiência da formação de professores para lidar com os temas em pauta e apesar disso, não são mencionadas alternativas para solução deste problema.
A inclusão dos TTs no currículo do ensino fundamental é justificada pela preocupação com a formação integral do aluno e ainda que o documento de apresentação afirme que o alvo do “ensino de valores” não seja o controle do comportamento dos alunos, os TTs podem reforçar ainda mais a escola como espaço de defesa de posturas autoritárias.
Orientação Sexual.
A orientação sexual na escola deve ser entendida como um processo de intervenção pedagógica que tem como objetivo transmitir informações e problematizar questões relacionadas à sexualidade em sentido amplo. São propostos 3 eixos[1] fundamentais para abordagem deste tema transversal: corpo humano, relações de gênero e prevenção a doenças sexualmente transmissíveis.
Acredito na aplicação do tema às atividades escolares também com relação à um eixo não mencionado, a inclusão da classe denominada GLBT (Gays, lésbicas, bissexuais e transexuais) no ambiente escolar. A discussão sobre gênero propicia o questionamento de papéis rigidamente estabelecidos a homens e mulheres na sociedade, a valorização de cada um e a flexibilização desses papéis, mas não me parece suficiente encerrar o assunto neste ponto.
Pensando que no ensino fundamental os alunos estão descobrindo sua sexualidade a partir de contatos e vivências, por mais superficiais que sejam, fora de casa (com colegas da escola inclusive – quem nunca deu o primeiro beijo na escola?) precisamos ser mais democráticos nas posturas, crenças, tabus e valores associados à sexualidade, em especial à homossexualidade. Tais intervenções deveriam propiciar aos alunos a possibilidade do exercício de sua sexualidade de forma responsável atribuindo valores e excluindo preconceitos entre os colegas bem como entre os professores, diretores, supervisores, etc.
Gostaria de exemplificar esta relação de discriminação nas escolas para que torne mais clara minha posição: quando eu estudava na 4ª série do ensino fundamental, no ano de 1997, tinha um amigo com trejeitos femininos e todos os dias ele era apontado pelos colegas, criticado verbalmente como se seu comportamento não fosse condizente com o comportamento padrão dos outros meninos de sua sala e por isso seria excluído das atividades coletivas e prazerosas. Como é instalado este tipo de discriminação?
Na escola, o contato entre alunos é diário e tal intervenção pedagógica deve enfocar as dimensões sociológica, psicológica e fisiológica da sexualidade. Neste caso, o professor de artes poderá utilizar-se de vários artistas como referência para construir uma perspectiva particular sobre o olhar para a sexualidade de cada um bem como a sexualidade do outro, de forma mais humanitária onde os alunos possam se aproximar, reconhecendo e permitindo as diferenças entre si.
[1]Seria produtivo trabalhar com os três eixos simultaneamente?
Experiências corporais como atendente em um callcenter – 2007/2008:
A idéia deste projeto é compreender as relações de contato do corpo com a realidade, considerando que hoje a possibilidade de mediação tecnológica transforma o corpo e projeta sua ação, propondo outras atribuições para o significado de distância, proximidade, visibilidade, tactibilidade.
ATENDIMENTO: troca de informações entre pessoas telepresentes; E AS RELAÇÕES DE CONTATO DO CORPO COM A REALIDADE: TEMPO-ESPAÇO-MATÉRIA-CORPO; O CORPO DO OUTRO, O MEU CORPO CORPORALIDADE CARENTE propriedade do que é corpóreo PRESENÇA / AUSÊNCIA
No cotidiano se instalou um tipo de corporalidade carente, de acordo com as realidades de presença e ausência do corpo neste processo de contato telepresente.
Observando o corpo em situações de atendimento, quais as relações de contato do corpo com a realidade tempo-espaço-matéria-corpo que mais te afetam?
• Possíveis soluções práticas: mixed media Instalação-Vídeo-performance-fotografia-objeto-desenho- arte interativa
Construção da Posição de atendimento (PA)
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Situações:
1. Quando atendo mulheres com vozes que soam bem aos ouvidos ou O prazer de atender. Reatição da fantasia; narrativa onírica, imaginação, desejos sexuais; percepção particular do tom de voz feminino; projeção; construção do estereótipo.
Faixa etária 20 – 40 anos; Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Salvador, Brasília.
2. Quando o cliente me coloca em hold. Sou levada de maneira inesperada para a realidade direta do cliente; mudança de posição, inversão de papéis, subversão de funções.
Ex.: secretárias de clientes VIP (Só um momento que eu vou passar a ligação pro sr...)
HOLD= momento em espera; momento em que a atendente não escuta o cliente pois entra em outra ligação; músicas (Ênia, Alegría Cirque du Soleil).
3. Quando eu falo do fee e o cliente atrita. Qualquer tipo de atrito com o cliente é desagradável.
Ex.: para adesão ao programa MR será debitado o valor de $; a taxa de transferência é no valor de $.
Neste caso a ligação é transferida para o ramal de ATT. FEE=FFS= fee for service ou taxa de serviço ANTI-ATRITION= ramal de atendentes que revendem produtos
4. Quando outro atendente transfere a ligação sem fazer conference-call. Vários procedimentos são adotados para garantir qualidade no atendimento, ou SCRIPTS.
Quando a ligação é transferida direto para um segundo atendente, sem conference-call (3 pessoas ou mais na linha) outro atendente interfere na qualidade do meu atendimento.
Ex.:é transferida para um ramal incorreto, de modo que o processo não funciona bem: MUITOS CLIENTES>LIGAÇÃO TRANSFERIDA RAMAL CORRETO>FINALIZAÇÃO MUITOS CLIENTES>LIGAÇÃO TRANSFERIDA RAMAL INCORRETO>RECHAMADA
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Diálogos:
diálogo 1: DDD 011 – São Paulo (SP) duração aprox. 2min
R: bom dia! P: bom dia, meu nome é paula! posso ajudar? R: o meu é renata, eu sou secretária do doutor ivan e gostaria de saber qual foi a última exposição que ele visitou, onde e quando...? você pode me ajudar, paula? P: este tipo de informação somente pode ser passada a ele, renata. eu posso te ajudar de alguma outra maneira? R: não,obrigada.
diálogo 2: DDD 021 – Rio de Janeiro (RJ) duração aprox. 6min
R: bom dia P: bom dia, meu nome é paula! posso ajudar? R: o meu é renata, eu sou secretária do doutor ivan e gostaria de saber qual foi a última exposição que ele visitou, onde e quando...? você pode me ajudar, paula? P: este tipo de informação somente pode ser passada a ele, renata. eu posso te ajudar de alguma outra maneira? R: pode sim, paula... P: como? R: você é casada? P: primeiro eu gostaria de confirmar alguns dados com você, renata pra prosseguir com o atendimento: R: sim, claro! tudo bem. P: sua data de nascimento? R: 14/05/1976 P: sua idade? R: eu tenho 32 anos, vou fazer 33 daqui a um mês. P: você viajou pro exterior nos últimos 6 meses? R: sim, fui pra buenos aires na argentina. P: você gosta de mulheres? R: como? P: desculpe, renata. você gosta de amy winehouse? R: gosto! P: obrigada pelas confirmações, renata. R: então, paula! quando foi a última exposição que o doutor ivan visitou? P: renata, eu já disse que esse tipo de informação só pode ser fornecida diretamente com o contato dele. o doutor ivan, ele está presente, no momento? R: não, ele está em uma reunião. acho melhor eu ligar mais tarde, paula. muito obrigada pela sua atenção, boa tarde! P: boa tarde, renata!
Quase todos nos interessamos por tudo aquilo que não é nosso, por aquilo que não somos, por aquilo que não temos, que não tocamos, às vezes por aquilo que não entendemos ou nem mesmo sabemos. Nem sempre sabemos aquilo que queremos e ainda assim queremos. Nos interessamos pelo Outro porque no fundo cremos que só será no Outro que poderemos nos encontrar e o outro está sempre muito perto, logo ali onde nós terminamos.
Nossa pratica artística e nosso cotidiano, divididos a 15 anos, se desenvolve neste exato território entre Cada Um e o Outro – o desconhecido território do desejo e do medo, do mundo à navegar, à descobrir. Talvez por isso nos interessemos igualmente pelo documentário e pela ficção.
Toda imagem, em sua base, não pertence ao território do Documentário nem ao da Ficção. O que a fará pertencer a um ou outro território será a literatura que nela se apoiará, seja ela de ordem real ou fictícia. Toda imagem pode conter uma informação literária e servir de construção para uma mensagem. Ela independe à verdade, à mentira, à realidade e à representação para ser inteligível, para existir. Não há portanto nada de tão preciso, definido, que diferencie estes dois territórios, o da ficção e o do documentário, na base da criação de uma imagem. Toda imagem é portanto per se algo interterritorial.
E é justamente nesta interterritorialidade, neste espaço indefinido mas existente entre dois territórios distintos, que se torna possível criar um campo erótico-poético onde ação e representação, bem como interação ou intervenção, se misturam, produzindo assim uma certa libertação das categorias artísticas estabelecidas no modernismo e possibilitando novas experiências, novas práticas artísticas.
No trabalho com vídeo e filme, por exemplo, a construção de seqüências de imagem em movimento pode estabelecer diferentes e múltiplas percepções do tempo e do espaço, seja ele real ou imaginário, pouco importa. A mesma situação, a mesma cena, seja ela de ordem documentaria ou fictícia, se filmada por diversas câmeras ao mesmo tempo, a partir de diversos pontos de vista, poderá assim produzir uma seqüência de imagens de caráter múltiplo, complexo e assim reconstituir o princípio de “multiplicidade”, largamente aplicado na física, também na prática artística. Esta mesma multiplicidade de imagens de uma mesma situação pode subverter o próprio discurso do “real”.
Da mesma forma que o uso de mais de uma câmera pode diversificar os pontos de vista sobre um contexto, o uso de mais de uma intenção, mais de uma percepção, mais de uma voz criativa, pode também diversificar a ação e a representação na experiência prática da arte. Aí baseamos a possibilidade de uma arte dialógica, tão interessada na interação com quanto na representação da realidade.
Trabalhamos em projetos de arte tanto em espaço público como em eventos artísticos. As questões abordadas num projeto participativo desenvolvido na rua, numa favela ou ainda num centro de refugiados políticos são naturalmente diferentes das abordadas num projeto desenvolvido num museu ou numa bienal. Consideramos importante operar em ambos os territórios e sempre que possível conectá-los, desafiando seus próprios limites e objetivos primeiros. As reflexões e diálogos desenvolvidos em cada experiência artística, se expandidos para além dos territórios e fronteiras de sua realidade e de sua representação, permitem a expansão da percepção e consequentemente, da arte contemporânea e da própria realidade.
Toda prática artística é em si um exercício de alteridade. O que diferencia a arte das outras formas de alteridade é que ela se utiliza do território da representação para sua inserção no mundo. Mas a representação, se vista com uma possível ressonância, é também uma mera ferramenta da alteridade. Hoje, mais que nunca, arte é não saber o que dizer, mas é saber onde fazê-lo ser dito.
ORIENTAÇÃO SEXUAL A Orientação Sexual na escola deve ser entendida como um processo de intervenção pedagógica que tem como objetivo transmitir informações e problematizar questões relacionadas à sexualidade, incluindo posturas, crenças, tabus e valores a ela associados.
Tal intervenção ocorre em âmbito coletivo, diferenciando-se de um trabalho individual, de cunho psicoterapêutico e enfocando as dimensões sociológica, psicológica e fisiológica da sexualidade. Diferencia-se também da educação realizada pela família, pois possibilita a discussão de diferentes pontos de vista associados à sexualidade, sem a imposição de determinados valores sobre outros.
O trabalho de Orientação Sexual visa propiciar aos jovens a possibilidade do exercício de sua sexualidade de forma responsável e prazerosa. Seu desenvolvimento deve oferecer critérios para o discernimento de comportamentos ligados à sexualidade que demandam privacidade e intimidade, assim como reconhecimento das manifestações de sexualidade passíveis de serem expressas na escola. Propõem-se três eixos fundamentais para nortear a intervenção do professor: Corpo Humano, Relações de Gênero e Prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS.
A abordagem do corpo como matriz da sexualidade tem como objetivo propiciar aos alunos conhecimento e respeito ao próprio corpo e noções sobre os cuidados que necessitam dos serviços de saúde. A discussão sobre gênero propicia o questionamento de papéis rigidamente estabelecidos a homens e mulheres na sociedade, a valorização de cada um e a flexibilização desses papéis.
O trabalho de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis/AIDS possibilita oferecer informações científicas e atualizadas sobre as formas de prevenção das doenças. Deve também combater a discriminação que atinge portadores do HIV e doentes de AIDS de forma a contribuir para a adoção de condutas preventivas por parte dos jovens.
Quase tudo do pouco que conhecemos nos chega via tecnologias da informação e comunicação. Imagens para entreter, vender, com mensagens sobre o que devemos vestir, comer, aparentar, pensar.Fabris (1998) nos auxilia a compreender o interesse pelo visual no mundo contemporâneo. A autora observa que a imagem especular, própria do Renascimento, não é, apenas, resultado de uma ação artística, mas sim fruto de um cruzamento entre arte e ciência. A perspectiva é bem mais do que a aplicação de leis geométricas e matemáticas, ela é um modelo de organização e racionalização de um espaço hierárquico. É a possibilidade de estruturar o espaço a partir de um determinado ponto de vista, aquele de um sujeito onisciente, capaz de tudo dominar e determinar.
O lapso de tempo no qual o artista do Renascimento organizava uma nova visualidade coincide com o desenvolvimento da imprensa, com um novo modo de armazenar e distribuir um conhecimento interessado na preservação do passado e na difusão do presente.
Esse período buscava um novo estilo cognitivo baseado na demonstração visual. As imagens com perspectiva tentavam tornar o mundo compreensível à poderosa figura que permanecia em pé, no centro da imagem, no único ponto a partir do qual era desenhada. Esse estilo cognitivo se estendeu até a fotografia, mas como as tecnologias disponíveis no mundo contemporâneo redefinem os conceitos de espaço, tempo, memória, produção e distribuição do conhecimento, estamos em um momento que busca uma outra epistemologia e se necessitamos de outro modo de pensamento, conseqüentemente também necessitamos de outra visualidade.
As freqüentes mudanças de expressões e conceitos próprios da natureza das artes visuais na contemporaneidade podem trazer dúvidas quanto à aplicabilidade das propostas didáticas para o currículo escolar no ensino fundamental e médio baseadas em propostas como os Pcns.