terça-feira, 13 de junho de 2017

layouts e poster - curadoria exposição EM CONTATO


poster impresso em papel 90x120cm
foto do perfil do artista (cidade e ano de nascimento) seguido de breve release
no rodapé recortes das exposições anteriores (curadorias de João Virmondes e Paulo Rogério Luciano)






LAYOUTS inacabados e alterados ao longo da montagem

sexta-feira, 9 de junho de 2017

texto crítico da exposição EM CONTATO - galeria Lupa (parte 2 SALA DE CIMA)

Acima: espaço SALA DE CIMA - durante a montagem - alterações foram feitas posteriormente. Layout: Paula Borela e Paulo Rogério.

Na montagem desta exposição, em função da grande quantidade de obras - 80 aproximadamente - pensamos em proporcionar uma zona de respiro e pausa para o público, utilizando bancos para assento em frente algumas obras. As salas do espaço são multifuncionais e na medida do possível distribuímos 3 bancos de madeira pela galeria (2 na garagem e 1 na sala de cima). É comum que nos vernissages a quantidade de visitantes seja maior que nos dias cotidianos da galeria, inclusive isso é um fator que pode gerar desconforto visual na apreciação das obras. Alguns preferem visitar a mostra em outros dias mais calmos e tranquilos, sem o frisson típico de uma abertura. O respiro, o silêncio e a pausa podem fazer parte da experiência estética ao visitar uma exposição e consideramos isso no projeto expográfico.

Colocamos um banco na SALA DE CIMA, voltado especificamente para uma obra de grandes dimensões (Bruno Marcitelli: "Pietà" acervo do artista). De 1499 a 2017 muita coisa mudou na sociedade e além do deslocamento espacial, da Basílica de São Pedro até o bairro Tabajaras em Uberlândia, Bruno nos leva a olhar - e a parar para olhar - para uma nova Pietà, em que Maria e Jesus são negros. A irreverência do trabalho está no fato de que o espectador vê algo novo, diferente do que já viu várias vezes em museus e livros (a escultura original) e acreditamos nessa proposta como recurso da contemporaneidade. Esta pintura participou de um projeto entre amigos em que o artista a levou para compor um cenário, nas margens da rodovia entre Uberlândia e Araguari. A tela foi inacreditavelmente apreendida pela PM e danificada nos transportes, de um lugar a outro, bem como durante seu armazenamento quando não estava na posse do artista. Ao trazer a obra para o espaço expositivo o artista cogitou fazer os devidos reparos, mas ao mesmo tempo optamos por manter os danos, pois faz parte da história da tela. O forte olhar e expressão corporal de Maria chama mais atenção causando mais impacto que o corpo do personagem principal em primeiro plano. A releitura é muito expressiva e evoca questionamentos ancorados na História da Arte, atualizando muito sentidos.

O racismo é trazido à tona, assim como a homofobia e o machismo são temáticas complexas que fazem parte das estratégias de interlocução entre esse artista e seu público. Ao lado da pintura posicionamos uma televisão antiga de 20 polegadas que mostra um vídeo produzido por Marcitelli que é apresentado em DVD player, um anacronismo provocado pela ação curadorial. Um teaser em looping acompanha a pintura que faz referência à escultura em mármore de Michelangelo Buonarotti. Na animação vemos uma foto dos personagens com a iminência da morte: o antes e o depois do tiro no peito. Um réquiem de Mozart foi inserido como trilha sonora de fundo e o tempo entre imagem e não-imagem foi repensado para esta situação da exposição. 

LINK do teaser no formato antes da exposição:
https://www.youtube.com/watch?v=q639qaFikS8

No sentido oposto a esta grande tela temos um conjunto de obras que são diametralmente opostas no sentido de suas dimensões e do esforço que o espectador deve realizar com seu aparato retiniano para observá-las. Dentro de 11 passe-partouts pretos chanfrados, estão os desenhos de um artista que é conhecido majoritariamente por sua produção tridimensional (Tião: "Através da lente dos seus olhos" acervo do artista). Os desenhos que chegam a medir 2x2cm e 2x1cm são croquis que foram produzidos entre 1998 e 2015. Os estudos feitos pelo artista serviram de base para peças em concreto celular, argila, gesso entre outros materiais que já foram executadas tridimensionalmente ou que ainda serão. Trabalhos distintos que foram produzidos ao longo de 17 anos, aqui reunidos ganham notadamente um sentido estético característico de outro Tião em sua criação bidimensional, agora revelada. As formas desenhadas sobre papel que lembram pessoas, animais e suas possibilidades híbridas foram identificadas com subtítulos: “jornada, cerimônia, continente, litoral, pescador, paleta, carícias, pé grande, cerrado, miau, pelicano de fraque, coito, carona, ordenha, ombro amigo, picadeiro, Bahia, sossego, manicômio, Himalaia, vergonha, prece, ancião, espelho, epidemia, saci, futuro, cesta, carteado, sedução.” Optamos por não colocar a faixa amarela de retenção entre obra e público na montagem desta obra, pois o objetivo é que o espectador se aproxime ao máximo para fazer sua leitura.

Acima: fase de montagem das obras de Tião.

Acima: obra reservada na vernissage e vendida posteriormente.

Ao lado esquerdo desse conjunto estão 3 gravuras em metal (Tião: “Hora”, “A espera” e “Bordado” R$200,00 cada – sendo que a última foi vendida) do mesmo artista. A simplicidade do traço que forma a coruja está presente também na paisagem com a árvore seca que abriga um único pássaro, cúmplice de um boi magro que pasta na solidão da paisagem; a mulher que borda parece estar concentrada em sua tarefa minuciosa, semelhante à prática do artista que a retrata.

A animação digital que sai da janela e chega até a parede do quintal da casa através de projeção (Alexis: “Labirinto Visual”), é um nano-videoarte em cores preto, vermelho e branco produzido em 2015 que participou da quarta edição do Festival Brasileiro de Nanometragem de Atibaia/SP em 2016. Originalmente o vídeo tem um áudio que segue as imagens, um som que ressalta a mobilidade mecânica do percurso desse OLHO no ambiente digital simulado. Para a exposição o áudio foi cortado.
Um desenho digital que parece um still do vídeo (Alexis: “Labirinto Visual” R$350,00) mostra um olho vermelho no centro, permeado por círculos preenchidos de outros círculos que em uma espécie de universo paralelo no qual todos estão conectados em um labirinto.

LINK do “Labirinto visual” de Alexis (com áudio):
https://www.youtube.com/watch?v=abYAj6nCblw

Temos 3 máscaras em técnicas mistas que estão no vão da escada (vide layout em próximo post) e ainda na SALA DE CIMA temos uma fotografia com uma máscara feita de LEGO usada pelo artista (Alexis: “Fotos 02 máscara” R$400,00). A máscara foi construída para a execução da foto e moldada nas medidas e formato da cabeça do seu criador. Elaborada com um brinquedo educativo, o material oferece ao espectador dois lados: o aspecto lúdico das peças coloridas moduladas que brincamos na infância e, por outro lado, o incômodo visual causado pela sensação de vestir uma máscara rígida que se fecha sem a possibilidade de ser retirada da cabeça, a não ser que seja desmontada, consequentemente desfeita. O objeto torna-se performático nesse sentido.

B U Z Z é o nome de um artista criado em 2015 que vive no Ciberespaço. “Uma identidade artificial criada para interagir artisticamente nas redes sociais”, diz Marcitelli. Ocupando uma das paredes da mesma sala B U Z Z aparece formando um corner com “Pietà” através de pinturas e manipulações digitais, além de apresentar uma gravura em metal que originou a pesquisa com a temática investigada. Celebridades como Walério Araújo, estilista e designer de moda, Lady Gaga, cantora e artista pop e Vera Holtz, atriz, estão reunidos de forma bem-humorada em um espaço onírico que atualiza uma cena religiosa com Madonna, menino Jesus e anjos (B U Z Z: “SANTA HOLTZ & OS WALÉRIOS” R$350,00). A alegria estampada em suas faces pode ser associada à um pouco de deboche e sarcasmo, que provica dúvida sobre a autenticidade dos personagens. Figuras públicas reaparecem (B U Z Z: “DITADURAGAY” R$350,00) nas cabeças degoladas de Bolsonaro e Neymar – sendo o último ocultado nesta versão presente na galeria – com a presença de amigos reinventados que seguram metralhadoras parecendo escoltar a figura central: Waquilla Correia, ator e diretor no Ocupa Teatro, e Luana Julia, atriz em formação, que expõe a nudez de seu busto e levanta a ideia de outro padrão de beleza feminina, que não a midiática que nos é imposta. Ambos estão no entorno daquele sentado no trono de salto alto, que por sua vez veste um cap militar com uma máscara frontal cadavérica. Não se trata de um autorretrato uma vez que é B U Z Z quem pinta Bruno.

 
Acima: prospecções no atelie do artista.

Entre estes dois adesivos sobre PVC, está uma gravura entrevidros antireflexo com moldura dourada clássica que remete à época da Inquisição, na qual pessoas eram queimadas vivas por serem consideradas hereges pela Igreja Católica. A imagem (B U Z Z: “PRIMEIRA GRANDE QUEIMA DE FUNDAMENTALISTAS RELIGIOSOS” R$450,00) também faz referência à obra do artista espanhol Francisco Goya na sua representação dos horrores da época. 

Acima: gravura antes da moldura, no atelie do artista.

terça-feira, 30 de maio de 2017

texto crítico da exposição EM CONTATO - galeria Lupa (parte 1 GARAGEM)


Acima: espaço GARAGEM. Layout: Paula Borela e Paulo Rogério.

Ao me propor fazer a curadoria da exposição que está em cartaz na Galeria Lupa, várias questões foram pensadas em conjunto com o Paulo Rogério, entre elas a elaboração de layouts para ter maior visibilidade das obras enquanto projetadas nos espaços disponíveis para ocupação. Outra questão importante é que a galeria tem um foco comercial, de modo que as obras estão à venda durante o período expositivo. Portanto, gostaria de reforçar aqui os valores monetários das mesmas para possíveis interessados. Isto se dará através de um recurso informativo ao longo do texto conforme a fórmula a seguir: nome do artista entre parênteses, dois pontos seguido do título da obra e seu valor de venda.

Nosso projeto curatorial a longo prazo engloba conceitos e ideias prévias ou seja, antes da chegada ou seleção de obras, por trás do funcionamento da exposição existem premissas norteadoras do processo. Nos bastidores os curadores lançam mão de propostas que de certa forma estejam em consonância com uma temática específica. Curador é o mesmo que cuidador e buscamos desempenhar esse papel diretamente com os artistas e suas obras.

Vale lembrar que esta é a exposição #9 da galeria, as anteriores foram feitas com outros parceiros. Nesta primeira exposição na qual entro como colaboradora a temática foi aberta, livre e de fato, a ausência de um conceito-chave permitiu a organização e o agrupamento de obras de variadas técnicas e estéticas, sem a preocupação com um resultado previamente concebido, o que encaramos como desafio. Os LAYOUTS (plano, arranjo, esquema, design, projeto) entraram então, como forma de agenciamento do espaço expositivo para convivência entre as obras e linguagens dos artistas. Adotamos as medidas das paredes e as dimensões das obras selecionadas como ponto inicial para encaixá-las da melhor forma possível nos espaços da casa. Esta forma existe?

Diante de obstáculos reais e físicos, partimos para a concretização da MONTAGEM considerando fatores próprios de uma galeria de arte que foi adaptada para tal funcionalidade dentro de um espaço previamente ocupado por moradores residenciais que tiveram esta edificação provavelmente realizada nos anos 1970. Suas particularidades arquitetônicas e instalacionais fazem parte da estrutura visual das exposições que aqui ocorrem.

No espaço GARAGEM, na parede 1 encontramos obras que acabam por se comunicar com um ambiente externo da casa que liga sua entrada principal, a entrada da rua e o quintal: folhas de coqueiro pintadas com resina vermelha (Paulo Rogério Luciano: "sem título" R$80,00 cada ou R$500,00 o conjunto com 8) trazem ao espectador uma volumetria orgânica da natureza e causam impacto pelas suas grandes dimensões, a maior das oito mede 170cm x 45cm. Em contraponto à leveza destas folhas, colocamos dois objetos de cerâmica queimada (Vanda Calaça: "Rastros da natureza 1" R$680,00 e "Rastros da natureza 2" R$650,00) pesados e suspensos por cabos de aço na altura da grama: 1,50m e 1,90m em relação ao piso 1 da casa, o que gera um peculiar deslocamento do olhar para o verde da área externa, privilégio da estrutura de uma casa com quintal. Estas obras criaram uma relação de inquietude na observação do público em função do estranhamento de uma forma tão orgânica ao ponto de ser confundida com um casulo de borboleta, porém muito maior em relação de escala e proporção com casulos reais. Entre eles estão 41 peças em cerâmica que se sustentam em uma tela de aço (Vanda Calaça: "Somos semelhantes, temos diferenças, somos um" R$380,00) em formato de sementes, cada uma divida em 2 partes, sendo metade esmaltada em cores variadas e a outra metade na cor crua da argila. Nas extremidades deste primeiro espaço contemplativo encontram-se duas esculturas de parede (Maria Ignez Sampaio: "Emaranhados" - à esquerda R$1.600,00 e "Asas" - à direita R$950,00) em aço. A primeira é mais figurativa e em aço esmaltado, remete às asas de um inseto enquanto a segunda em aço oxidado já possui uma conotação mais abstrata. Produzidas em uma fábrica na cidade mediante solicitação da artista, a qual acompanhou o processo mecânico de oxidação após a elaboração de todo o desenho que dá origem ao corte feito por laser, ambas esculturas dialogam com o peso e a leveza, além de levantar sombras na medida em que a luz se espalha pelas entranhas do próprio material.

Ainda no mesmo espaço, parede 2. Pinturas a óleo sobre tela (Euris Faria: "Amigos" acervo do artista, "Fogão de lenha" R$380,00) são apresentadas com dupla moldura - uma preta interna e uma branca externa - e trazem em espaços bucólicos realistas o retrato de familiares seguidos de uma mulher que cozinha no antiquado fogão, de costas para o observador. Do outro lado da parede, o mesmo cuidado do artista para as escolhas na molduraria: sanduíche de vidro antirreflexo com moldura canaletada branca nas três obras de sua recente produção em óleo sobre papel (Euris Faria "Aflição" R$450,00, "Clemência" R$450,00 e "Alucinação" R$450,00). Agrupamos as obras que parecem ser o retrato de uma mesma pessoa enquanto afastamos um pouco mais a segunda pessoa, que compõe este tríptico rico em expressividade humana. Verificamos uma habilidade técnica explorada de forma mais aguda nestes retratos em relação aos anteriormente citados e os personagens de agora encontram-se isolados em uma realidade à parte, talvez existente apenas na mente e no ato criador do artista. Sua preocupação com o espaço onde estas pessoas habitam - que aqui podemos pensar como fundo, na relação figura e fundo - deixou de ter sentido, como havia feito nas situações campestres para dar ênfase à suas situações emocionais.

Continuando a levar o espectador para reflexões mais voltadas à subjetividade do outro - e por que não da sua própria?! -, posicionamos uma obra composta por duas caixas de feira (Paula Borela: "Mudanças" acervo da artista) ocupadas com objetos que revelam parte da história de vida da artista. Para esta obra em processo, ao longo da montagem da exposição vários testes foram feitos, com objetos trazidos de casa, na tentativa de apropriação e (re)significação de pertences encontrados na relação ARTE E VIDA até a configuração atual. Esculturas de gesso de dedos indicadores em um cubo de acrílico; duas placas de cobre com gravações - matrizes gravura em metal da série Engrenagens e Autorretrato -; uma garrafa de cerveja Bohemia trazida da fábrica em Petrópolis/RJ, safra especial, preenchida com sal grosso; um toca-fitas dos anos 1980 walkman Sony; um porta incenso que recebe varetas acesas diariamente aromatizando o ambiente; uma fotografia da avó da artista datada de 1954 com dedicatória no verso posicionada em um mini-cavalete de pintura e a primeira via da cédula de identidade da artista emoldurada em sanduíche de vidro. Todos os objetos representam fases diferentes de uma vida e se tornam símbolos de algumas práticas cotidianas. As caixas de madeira estão também (re)significadas, pois ao invés de serem usadas na posição horizontal, foram dispostas na posição vertical e fixadas na parede, colaborando para um incômodo de sua leitura, distante do que lhe é habitual.









Acima: obras no totem serão descritas em um próximo post.

Configuração atual da obra "Mudanças".







sexta-feira, 5 de maio de 2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

arquivos 18 março 2017





 no cajubá com sobrinhos amados e irmã



















desenhos de 2004