Visualizações do blog

domingo, 24 de janeiro de 2016

Variações em torno do tema da economia das artes: mercados, sistemas, finanças, matérias, agentes (leitura sistematizada) M. P. N.

-----------------------------------------2.1
OS PRODUTOS DA CULTURA E OS BENS E GESTOS ARTÍSTICOS FORAM PROBLEMATIZADOS ATRAVÉS DAS RELAÇÕES DINÂMICAS TRAÇADAS COM A CULTURA POPULAR INTERNACIONALIZADA E PRESENTE NA COSMÓPOLIS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO. ESTES CRITÉRIOS CULTURAIS SÃO PARTE DE UM DISCURSO DE CULTURALIZAÇÃO PERMANENTE DA POLÍTICA. UM MODO DE AGIR QUE REVELA UMA FACETA DO CONSUMO NAS RELAÇÕES ENTRE
  • CULTURA DO CONSUMO E
  • CULTURA DAS SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS
A COMPLEXIDADE DAS RELAÇÕES ENTRE 
  • A INVENÇÃO DO CAMPO ARTÍSTICO E
  • AS DEMAIS TRADIÇÕES
NÃO DEVE OBSCURECER/ MINIMIZAR A IMPORTÂNCIA DA 
  • CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DO CAMPO ESTÉTICO E
  • QUAL A PERSPECTIVA DE MANUTENÇÃO DA UNIVERSALIDADE DA ARTE SOB A ÉGIDE DE UMA TRANSNACIONALIZAÇÃO CRÍTICA
2º EIXO TEMÁTICO: TEMAS DE ORDEM ECONÔMICA PROPRIAMENTE DITA E SEUS AGENTES SOCIAIS. QUESTÕES ENTRE MERCADO E SISTEMA. DEBATE ÀS VÉSPERAS DA TESSITURA DOS MODELOS HISTÓRICOS E ECONÔMICOS INVENTADOS E ENCENADOS NO SÉCULO XX, DOS QUAIS AINDA SOMOS DEVEDORES. ESTA QUESTÃO É A DO PAPEL DO DINHEIRO.  SEGUNDO ANNATERESA FABRIS EXISTE UMA AFINAÇÃO DA LÓGICA CULTURAL COM A LÓGICA DO CAPITAL FINANCEIRO. ALGO QUE SE ENCONTRA FUNDAMENTALMENTE NAS OBRAS DE FREDRIC JAMESON. 

Possui graduação em História pela Universidade de São Paulo (1969), mestrado em Artes pela Universidade de São Paulo (1977) e doutorado em Artes pela Universidade de São Paulo (1984). Professor titular da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes Teoria e História da Arte Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: fotografia, surrealismo, pintura, portinari e modernidade. (Fonte: Currículo Lattes)


Fredric Jameson (ClevelandOhio14 de Abril de 1934) é um crítico literário e teórico marxista, conhecido por sua análise da cultura contemporânea e da pós-modernidade. Entre seus livros mais importantes estão Pós-Modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardioO Insconsciente político e Marxismo e Forma. Atualmente Jameson trabalha na Duke University, em literatura comparada e romance.

1ª FASE DESTA AFINAÇÃO: AS OBRAS CULTURAIS E ARTÍSTICAS DEVEM SER REGIDAS POR LEIS DA MERCANTILIZAÇÃO. SURGIMENTO DE UMA CULTURA MERCANTIL DOS OBJETOS CULTURAIS. REDE ESTÁVEL E SUSTENTÁVEL DE TROCAS ECONÔMICAS E DE VALORAÇÃO. NECESSIDADE DA GERAÇÃO DE PRODUTOS E DA GERAÇÃO DE PUBLICIDADE EM TORNO DOS PRODUTOS QUE GARANTE A PRESENÇA CONSTANTE DO ARTISTA NO MUNDO MERCADOLÓGICO. A ARTE SE RESSENTE DESTA PRESSÃO PARA A PRODUÇÃO E EXIGE UMA AUTONOMIA DO CAMPO ARTÍSTICO EM FACE DO MERCADO. É A LÓGICA DO GOSTO ESTÉTICO. A PERSPECTIVA DE ESPECIALIZAÇÃO DA ARTE ATRAVÉS DA FIGURA DO ARTISTA (GIORGIO AGAMBEN) QUE ACABA RESSALTANDO SEMPRE A SINGULARIDADE DO FAZER ARTÍSTICO, SUAS FORMAS, ESPACIALIDADES E TEMPORALIDADES DISTINTAS DIANTE DO MUNDO DO MERCADO DOS BENS E OS CIRCUITOS DE PRODUÇÃO E CONSUMO. ESTA CONFIGURAÇÃO É REDUZIDA, POIS FAZ A ARTE OPERAR SOB A ÉGIDE DA MERCADORIA, FAZENDO DO ASPECTO COMERCIAL O PONTO VITAL DOS PROCESSOS SOCIAIS DA ARTE, ALÉM DE TRANSFORMAR A OPERAÇÃO ARTÍSTICA NUMA OPERAÇÃO DE NEGOCIAÇÃO MERCANTIL DOS SIGNOS.CONFIGURA UMA BOA PARTE DA ECONOMIA DAS ARTES A TENSÃO ENTRE
  • AUTONOMIA DA LÓGICA MERCANTIL E
  • AUTONOMIA DA LÓGICA ARTÍSTICA

Retrato de Agamben (grafite) em
La Demeure du Chaos (Musée l'Organe), Saint-Romain-au-Mont-d'Or, França.
Giorgio Agamben (Roma22 de abril de 1942) é um filósofo italiano, autor de obras que percorrem temas que vão da estética à política. Seus trabalhos mais conhecidos incluem sua investigação sobre os conceitos de estado de exceção e homo sacer.


A AUTONOMIA DO ARTISTA E DA ARTE DEPENDE DA INSTAURAÇÃO DE UMA REDE DE TRABALHO NO INTERIOR DO SISTEMA DAS ARTES. ESTA REDE DE TRABALHO SE CONFIGURA A PARTIR DE 
  • CRITÉRIOS ESTÉTICOS
  • DISCURSO DE ESPECIALISTAS
  • LOCAIS DO ACONTECIMENTO ARTÍSTICO
INTEGRA O FENÔMENO DE DOMESTICAÇÃO DA PRODUÇÃO PARA DETERMINADO MEIO OU AMBIENTE E SUA ECOLOGIA PRÓPRIA.ESTE É O ESPAÇO INTERMEDIÁRIO DAS MEDIAÇÕES SEGUNDO ANNE CAUQUELIN. O MARCHAND, O GALERISTA, O CRÍTICO E COLECIONADOR, AGENTES DO SISTEMA DAS ARTES INFUNDEM UM CARÁTER AURÁTICO E RITUAL ÀS AÇÕES EM TORNO DA ARTE E DO ARTISTA (AVANÇOS DA MODERNIDADE).


NA 1ª METADO DO SÉCULO XX, ESTA ARTE DOMÉSTICA (CLEMENT GREENBERG) ERA FEITA NUM CIRCUITO QUE ENVOLVIA
  • ARTISTAS
  • PRODUTOS
  • CRÍTICOS
  • INSTITUIÇÕES MUSEAIS
  • GALERISTAS
  • MARCHANDS
  • CONSUMIDORES ESPECIALIZADOS (COLECIONADORES)
E A REPERCUSSÃO DE TUDO ISSO NUM CENÁRIO MAIS AMPLO. POUCO A POUCO IA ESTABELECENDO UM CÂNONE, LEGITIMADO POR HISTORIADORES E TEÓRICOS. ESTAS OPERAÇÕES OCORRIAM DE MODO RITUALIZADO, MAS TAMBÉM COGNITIVO, DESTINADO A UMA APRENDIZAGEM E UM PROCESSO DE ESPECIALIZAÇÃO PERMANENTE DE TODOS  SEUS AGENTES.






Reunião de nove ensaios e seminários de Clement Greenberg (1909-1994), o mais importante crítico de arte norte-americano do século XX, cuja influência foi decisiva para a afirmação do expressionismo abstrato e para artistas como Pollock e Rothko. Neste livro, Greenberg afirma que o gosto é uma faculdade que pode ser cultivada por meio de uma crescente exposição à arte e, posteriormente, por meio da reflexão sobre o que foi visto, ouvido ou lido.

Clement Greenberg (Nova Iorque, 16 de janeiro de 1909 – Nova Iorque, 7 de maio de 1994) foi um influente crítico de arte dos Estados Unidos, ligado ao Modernismo.
Estudou na Universidade de Siracusa e em 1939 publicou seu primeiro ensaio, Avant-Garde and Kitsch, que atraiu muita atenção ao declarar que o Modernismo era uma forma de combater o rebaixamento cultural causado pela propaganda capitalista. O ensaio também foi uma resposta à destruição da chamada arte degenerada pelos nazistas.
Depois da II Guerra Mundial voltou a causar polêmica dizendo que o melhor das vanguardas modernas estava sendo produzido nos Estados Unidos e não na Europa, e foi um dos primeiros a aclamar Jackson Pollock, chamando-o de o melhor pintor de sua geração. Em 1955, com o ensaio American-Type Painting, defendeu o expressionismo abstrato. Greenberg participou na elaboração do conceito de especificidade de meio, o que levou ao desenvolvimento de uma escola de pintura "plana", sem o ilusionismo da tridimensionalidade. Para ele o abstracionismo era a mais avançada forma de arte, e viajou para outros paíese para divulgar suas idéias, permanecendo uma personalidade importante na crítica de arte até os anos 60, sendo uma referência para toda uma nova geração de críticos. Mas sua oposição ao Pós-Modernismo fez com que perdesse terreno.

SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX E NO SÉCULO XXI ESSA DOMESTICAÇÃO ENVOLVE TODOS ESSES ELEMENTOS E INTEGRA O FORTALECIMENTO DE REDES SOBREPOSTAS A ESTES CIRCUITOS ERUDITOS. UM ARTISTA NÃO É SOMENTE CONVOCADO A INTEGRAR UM SISTEMA ARTÍSTICO TAL QUAL ERA ENTRE OS ANOS 1940-50 POR UM CRÍTICO DA RELEVÂNCIA DE GREENBERG. ELE É EXIGIDO EM DOMÍNIOS QUE ENVOLVEM RELAÇÕES COM A URBE. A CIDADE NÃO É MAIS APENAS UMA CENOGRAFIA LOCAL, MAS A PRESENÇA DE IMAGINÁRIOS EXPANDIDOS, QUE FAZEM DE UM ESPAÇO LOCAL UM TIPO DE COSMÓPOLIS. ASSIM A AVALIAÇÃO DE MERCADOS LOCAIS NÃO SE RESTRINGE MAIS AO CENÁRIO LOCAL. A CIDADE E SUA REPERCUSSÃO FOGEM CONSTANTEMENTE DA ESTÁVEL CUMPLICIDADE DE CAMPO. ATÉ 1980: MERCADOS ARTÍSTICOS LOCAIS E REGIONAIS AUTÔNOMOS, APÓS A CRISE DE 1990: REAQUECIMENTO DA ECONOMIA DAS ARTES, CAPACIDADE DO MERCADO LOCAL DE  TECER RELAÇÕES TRANSVERSAIS. MANTENDO AINDA ALGUMAS CARACTERÍSTICAS INTEGRANTES DO CONTRA-CONSUMO: CUMPLICIDADE ENTRE OS AGENTES. MAS A AUTONOMIA DO CAMPO E DO MERCADO DE ARTES NÃO SOBREVIVE EXCLUSIVAMENTE DESTE ELEMENTO.

O CONTRACONSUMO PROPRICIA ESTRATÉGIAS DE LEGITIMAÇÃO NO INTERIOR DE UM GRUPO E DE UM CENÁRIO MAS TAMBÉM PROVOCA O FECHAMENTO E A AUTODEVORAÇÃO SISTÊMICA. GALERISTAS, MARCHANDS, ARTISTAS, COLECIONADORES, CURADORES INTEGRAM UMA SOCIEDADE DA CUMPLICIDADE E ADMIRAÇÃO MÚTUA. TODOS OS AGENTES SE RECONHECEM UNS AOS OUTROS, MAS TAMBÉM SE FECHAM. FECHAM A POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UM MERCADO E COMO ESTE (FLUTUAÇÕES) REPRESENTA A POSSIBILIDADE DE DESESTABILIZAÇÃO DOS DISCURSOS.A CIDADE SE REVELA UM LÓCUS DE TRANSFORMAÇÕES PERMANENTES E É PRECISO UM CONSTANTE PROCESSO DE (RE) MAPEAMENTO DOS CIRCUITOS DAS ARTES E DE SEUS PRODUTORES E UMA AVALIAÇÃO DAS RELAÇÕES ENTRE ARTE E CIDADE DO PONTO DE VISTA ECONÔMICO  PODERIA FAZER USO DE ALGUMAS SITUAÇÕES HISTÓRICAS PARADIGMÁTICAS. MUITAS CIDADES MUDARAM SUA FEIÇÃO E VALORAÇÃO DO MERCADO IMOBILIÁRIO EM FUNÇÃO DOS DESLOCAMENTOS DOS ARTISTAS ATRAVÉS DE SEUS BAIRROS.

  •  HISTÓRIA DAS RELAÇÕES DE ESPECULAÇÃO ECONÔMICA ENTRE O MERCADO DE ARTE E O MERCADO IMOBILIÁRIO DOS GRANDES CENTROS URBANOS. 
AS QUESTÕES ECONÔMICAS PROPRIAMENTE DITAS ENVOLVEM O VASTO PROBLEMA DA MONETARIZAÇÃO GERAL DAS ECONOMIAS MUNDIAIS, O QUE ATINGE DIRETAMENTE O MUNDO DA ARTE. ARTE E MOEDA POSSUEM EM COMUM A POTENCIALIDADE DE ULTRAPASSAGEM DAS FRONTEIRAS NACIONAIS E A DESESTABILIZAÇÃO DE ECONOMIAS PARA ALÉM DE SUAS FRONTEIRAS.  UMA MOEDA ESTRANGEIRA É FATO QUE INFLACIONA UMA ECONOMIA.  E A ARTE É FATO QUE INFLACIONA AS SIGNIFICAÇÕES, COLOCANDO SIGNIFICADOS EM FLUTUAÇÃO. HÁ AFINIDADES ENTRE UM CAMPO E OUTRO. O MERCADO PASSA A SER ASSIM UM ELEMENTO DEFINIDOR DE CULTURAS. ELE DEFINE CULTURAS LOCAIS NOS SEUS SISTEMAS DE LEGITIMAÇÃO, MAS TAMBÉM DEFINE CULTURAS TRANSNACIONAIS. GRANDES CORPORAÇÕES FAZEM ASSOCIAÇÕES DIRETAS COM O MUNDO DA ARTE, TRANSFORMANDO A PRODUÇÃO ARTÍSTICA (OU SEUS GESTOS E ARTISTAS) EM PARTE DE UMA MARCA. GRANDES CORPORAÇÕES, EMPRESAS INTERNACIONAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE BENS CULTURAIS E ASSOCIAÇÕES MUNDIAIS DE PRODUTORES SÃO ELES TODOS REUNIDOS NA PRÓPRIA ESTRUTURA DO MECENATO CONTEMPORÂNEO. É DESTE TRIPÉ QUE SURGE O FOMENTO PRIVADO À CULTURA DAS ARTES.

O crescente papel das grandes empresas e seus interesses privados no mundo das artes, na produção, circulação e nas instituições culturais no mundo, submetendo-a aos seus interesses, sob a ótica do marketing, do investimento em ativos ou da diplomacia de negócios. Este é o delicado e pouco explorado tema deste livro inovador da autora taiwanesa Chin-tao Wu, a partir de sua pesquisa na Universidade de Londres sobre as mudanças ocorridas nos sistemas de apoio às artes nos Estados Unidos e Reino Unido no final do século XX.
Lançada no Brasil em uma coedição do SESC com a Boitempo Editorial, a obra analisa os efeitos das políticas para o setor dos governos de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, que estabeleceram marcos como a redução dos investimentos governamentais diretos e do controle público, e o crescimento dos incentivos fiscais, fundações privadas, do marketing cultural e dos institutos de empresas atuando no setor. A cultura deixa de ser uma área de enriquecimento do espírito, para se tornar mais um setor que tem que “se sustentar”, como “negócios privados”, mas que seguem, ainda que de forma às vezes dissimulada, subsidiados pelo poder público.
A partir desta mudança na postura dos governos e sociedades em relação à influência do mundo dos negócios na arte, Chin-tao explora o peso das empresas e seus dirigentes nos conselhos curadores, inclusive de instituições públicas como a Tate Gallery, e as crescentes coleções privadas, em poder das próprias empresas. Como estas fazem da arte, também, seu negócio financeiro e de imagem, e como os próprios museus se tornam cada dia mais orientados e parecidos com empresas ? como no caso estudado no livro das “franquias” do museu Guggenheim, que hoje já possui até uma filial dentro de um cassino em Las Vegas.
Um debate essencial para a discussão de cultura no Brasil das leis de incentivo que promovem o controle privado com recursos públicos, após a falência da polêmica Brasilconnects, da imensa coleção privada de Edemar Cid Ferreira, e dos projetos imobiliários de um Museu de Artes de São Paulo em crise. O livro traz ainda um texto inédito de apresentação à obra, escrito por Danilo dos Santos Miranda, Diretor do Departamento Regional do SESC no Estado de São Paulo.
Chin-tao Wu é especialista em cultura e arte contemporânea e colaboradora da New Left Review. É pesquisadora-colaboradora na Universidade de Londres e pesquisadora no Instituto de Estudos Europeus e Americanos da Academia Sinica, em Taipei (Taiwan).

ESTUDOS RECENTES DEMONSTRAM COMO AINDA EXISTEM FENÔMENOS DE SUPERFÍCIE ECONÔMICA, EFEITOS DAS ONDAS DE MERCADO PROVOCADAS POR SEUS AGENTES NO INTERIOR DOS PROCESSOS DE LEGITIMAÇÃO E AUTO LEGITIMAÇÃO SISTÊMICA. MAS O BOOM INTERNACIONAL DA DÉCADA DE 1980, NESTE FORMATO, NÃO PODERÁ FUNCIONAR MAIS POR UM TÃO LONGO PERÍODO.COMPLEXIFICAÇÃO DA CULTURA COMO NEGÓCIO E A FORTE TRAMA INTERNACIONALIZADA DO MUNDO DAS ARTES DEMONSTRA COMO A CONEXÃO ENTRE ARTE E MERCADO, ATRAVÉS DOS GRUPOS EMPRESARIAIS, INDUSTRIAIS E FINANCEIROS APONTA PARA UMA EXIGÊNCIA EXPANSIONISTA, EXPORTADORA E FLUTUANTE DOS MERCADOS.  PERSPECTIVAS COMO AS DE FERNANDO MORAIS E DE ANA LETICIA FIALHO PODEM SER CONTRAPOSTAS ÀS ANÁLISES FEITAS PARA OS ANOS 2000 DE SERGIO MICELI.

Ana Letícia Fialho é advogada, gestora cultural e pesquisadora do sistema das artes. Atualmente é Coordenadora de Pesquisa e Consultora em Inteligência Comercial do Projeto Latitude – Platform for Brazilian Galleries Abroad, uma parceria entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Com mais de dez anos de experiência no setor cultural e no mercado de arte, já trabalhou com instituições como: Centro Cultural Banco do Nordeste, Cinema do Brasil, Fórum Permanente, Fundação Bienal do Mercosul, Ministério da Cultura, SENAC, SEBRAE, Museo Nacional Reina Sofia, entre outras. Doutora em Sciences de l’Art et du Langage pela École des Hautes Etudes em Sciences Sociales (EHESS)/Paris (2006), Mestre em Gestion et Développement de Projets Culturels pela Université de Lyon II (1999) e Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (1997).
É professora convidada do curso de Pós-graduação em Economia da Cultura da Faculdade de Economia da UFRGS e pesquisadora associada do Núcleo de Estudos de Arte e Poder no Brasil, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP).
Colabora com publicações especializadas tais como Fórum Permanente, Revista Observatório Itaú Cultural, Select, Sociedade e Estado, Trópico, entre outras. Co-editou, com Graziela Kunsch, o livro Relatos Críticos da 27a Bienal de São Paulo (Hedra/Fórum Permanente, 2010).

Sergio Miceli Pessôa de Barros (Rio de Janeiro1945) é um sociólogo brasileiro, professor da Universidade de São Paulo e membro da Academia Brasileira de Ciências.
Miceli apresentou as premissas do filósofo, antropólogo e sociólogo Pierre Bourdieu à USP em um momento de dominação das teorias de Karl Marx. Foi o responsável pelo fortalecimento da sociologia da cultura no âmbito paulista e de setores antes pouco privilegiados como a sociologia da arte. Atualmente é docente nos cursos de pós-graduação da Universidade de São Paulo.


Valoresarte, mercado, política. Reinaldo MarquesLúcia Helena VilelaEditora UFMG, 2002.

Os trabalhos reunidos nesse volume resultam de uma proposta da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic) de discutir o tema 'Valores; Arte, Mercado, Política', com o intuito de enfatizar o diálogo dos estudos literários com outros discursos. Cada ensaio estabelece os contornos de um enfoque crítico para o tema 'Valores', em suas articulações com o estético, o mercadológico e o político, abrindo um espaço instigante para as questões envolvidas nas trocas culturais no contexto da globalização. Em sua diversidade, os ensaios refletem não apenas os múltiplos enfoques da arte e da cultura, mas também as suas possíveis interfaces.

O MERCADO DAS ARTES RESTRITO A UMA CONCEPÇÃO TRADICIONAL DO SISTEMA DAS ARTES É, NA ATUALIDADE, INSUSTENTÁVEL, PARA A AVALIAÇÃO E PARA A CRIAÇÃO DE POLÍTICAS E FORMAS DE GESTÃO DA CULTURA ARTÍSTICA. ARTISTAS, COMERCIANTES E COLECIONADORES NÃO SÃO OS ÚNICOS ATORES PRESENTES NESSE CAMPO. OS MODELOS DE EXPANSÃO DO MERCADO DA ARTE ESTÃO EM VOGA E UMA CARREIRA SÓ SOBREVIVE NO MERCADO DA CRIAÇÃO E PRODUÇÃO SE FOR CAPAZ DE PENSAR EM ARTE COMO PARTE INTEGRANTE DE UM MUNDO DE NEGÓCIOS. NÃO SE TRATA APENAS DE NEGÓCIO E ENTRETENIMENTO. CONFUNDIMOS ESTE ASPECTO ESPETACULAR DO CAPITAL FINANCEIRO COM FORMAS E SIGNIFICADOS ESPETACULARIZADOS DA CULTURA E A TRANSFORMAÇÃO DA ARTE EM FORMA DE ENTRETENIMENTO. ISTO PODE ACONTECER MAS NEM SEMPRE. HÁ ECONOMIAS QUE MANTÉM SEU VALOR A PARTIR DE CERTO GRAU DE INVISIBILIDADE DIANTE DO ENTRETENIMENTO.


Andreas Huyssen (born 1942) is the Villard Professor of German and Comparative Literature at Columbia University, where he has taught since 1986. He is the founding director of the university's Center for Comparative Literature and Society and one of the founding editors of the New German Critique, the leading journal of German studies in the United States.

A Cultura do dinheiroensaios sobre a globalização. FREDRIC JAMESON.

Este livro reúne uma seleção de ensaios que Fredric Jameson escreveu sobre a cultura em um mundo globalizado. Escritos do ponto de vista materialista, os ensaios explicam as formas específicas da conexão entre cultura e economia em tempos de capital financeiro. Jameson lida com os problemas culturais postos por esta nova etapa do capitalismo de tal maneira que sua exposição se constitui em uma teoria da globalização, cujo objetivo é não só esclarecer o que o debate ideológico encobre mas também articular formas e estratégias de resistência às forças destrutivas do capitalismo globalizado e às formas do pensamento único que ele engendra.

A partir do século XVI, a arte passou por mudanças notáveis ao se emancipar, aos poucos, de seu grande cliente, a Igreja. No século XIX, também o Estado sai de cena: os artistas criam o que querem, sem esperar por encomendas e vendendo no mercado que surge. A autonomia total da arte parece alcançada.
O mercado, porém, logo revela seus problemas e outra vez se pensa no Estado como solução, numa outra chave, aquela que pede à arte para ocupar-se menos com suas questões próprias e mais com seus aspectos extrínsecos (a arte pelo social, a arte pelo turismo, a arte pelo desenvolvimento econômico). Esses novos “mercados sociais” pautados pelo Estado estão longe de resolver a questão: os artistas ainda ganham mal e continuam tendo de curvar-se à política ou ao marketing econômico.
Os meios artísticos não gostam da economia, escreve Xavier Greffe no início deste livro. Poderia ter dito também que os meios artísticos (e culturais) recusam a ideia de que a arte (ou a cultura) seja pensada em termos de economia e, menos ainda, submetida ao sistema econômico. Não aceitam tampouco que a lógica econômica esclareça aspectos centrais das atividades artísticas. O grande medo por trás dessas recusas é que a economia, disciplina imperialista como ele diz, possa impor à arte seus valores e princípios.
O problema, porém, é que a arte não escapa da dimensão econômica. Não só hoje como, para não ir mais longe, na Renascença, quando o preço mais alto de certos pigmentos, como o azul, determinava a combinação de cores de uma pintura muito mais e para muito além de considerações estritamente estéticas.
A arte buscou durante muito tempo sua autonomia – diante da religião e, depois, do Estado. O mercado foi a grande alternativa, sobretudo depois que, graças a ele, os artistas puderam dispensar até mesmo as encomendas específicas que recebiam dos compradores particulares e passar a criar o que bem entendessem, cabendo ao mercado, num segundo momento, comprar ou não o que haviam feito.
Cada uma dessas etapas de liberação tem seu valor e seu preço econômicos. Neste estudo, Xavier Greffe põe em evidência os encantos e desencantos do artista diante das diferentes esferas das quais dependeu e depende. Uma parte importante de seu livro é dedicada às relações da arte com a economia de mercado e outra, às tendências observadas hoje de levar a arte a ocupar-se mais de seus efeitos sociais e econômicos – manifestados em temas como a inclusão social, o atendimento das exigências do turismo e as necessidades do desenvolvimento econômico em geral – do que de suas questões intrínsecas. Se a arte esteve antes subjugada aos interesses dos outros – Igreja, Estado, política –, sua situação atual, pelo menos nos países subdesenvolvidos, não é muito melhor. Conhecer o sistema econômico da arte é o primeiro passo para colocá-la em condição de atender realmente não apenas aos direitos culturais, que hoje se reconhecem, como a seus próprios direitos específicos.
Xavier Greffe é professor da Université de Paris I – Sorbonne, economista da cultura e colaborador frequente da Unesco e da União Europeia, além de docente convidado pelo Observatório Itaú Cultural para o curso de especialização em gestão e política cultural.

Xavier Greffe é professor de economia na Université Paris 1, onde preside o programa de pós-graduação em economia das artes. É professor associado no National Graduate Institute for Public Policies, em Tóquio, Japão, e professor adjunto no Auckland  Institute of Technology, na Nova Zelândia. Preside o comitê nacional para o emprego artístico na França. Publicou artigos e livros em economia de artes e mídia, incluindo os mais recentes Economie Globale(Dalloz, 2009) e La politique culturelle en France (La documentation française, 2009). Anteriormente, foi professor em diversas universidades francesas e estrangeiras, e diretor geral para formação e aprendizagem no ministério do trabalho francês (1990-1994). Suas pesquisas lidam com a economia do patrimônio cultural e com o vínculo entre cultura e desenvolvimento.

A ARTICULAÇÃO ECONÔMICA EM QUASE TODOS ELES (HUYSSEN, CAUQUELIN, JAMESON, SAISSELIN, GREFFE) REFORÇA AS RELAÇÕES ENTRE MONETARIZAÇÃO (CAPITAL FINANCEIRO), CULTURA DO CONSUMO E ESPETACULARIZAÇÃO DA CULTURA, DA ECONOMIA E DA POLÍTICA. 


HUYSSEN E SAISSELIN SÃO ANALISTAS DE QUESTÕES QUE AFETAM TAMBÉM AS INSTITUIÇÕES CULTURAIS, TAIS COMO OS MUSEUS DE ARTE, NESTA NOVA RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E ESPETÁCULO. HÁ TAMBÉM UMA GAMA DE TRABALHOS QUE SE DEDICAM A PENSAR UMA SOCIOLOGIA/ ANTROPOLOGIA DOS MERCADOS DE BENS SIMBÓLICOS. NA ESTEIRA DO TRABALHO DE PIERRE BOURDIEU, PESQUISAS SÃO FEITAS BUSCANDO A INTERPRETAÇÃO DAS CONSTELAÇÕES CULTURAIS QUE ESTÃO EM JOGO NO MUNDO DAS ARTES, ENVOLVENDO SEMPRE OS DISCURSOS QUE OCULTAM EM SEU INTERIOR OS COMPORTAMENTOS ECONÔMICOS. UMA LEITURA ALTAMENTE ESTETIZADA, FUNDADA NA PERSPECTIVA DE UMA CULTURA DO BOM GOSTO, ENCONTRA-SE POR TRÁS DESTAS ANTROPOLOGIAS DA ECONOMIA. 

Um dos eixos do livro é a crítica do paradigma estético, ou melhor, uma analítica da época estética da obra de arte. Época caracterizada pelo surgimento do homem de gosto, dotado de uma sensibilidade capaz de fruir e de julgar a obra de arte, mas incapaz de produzi-la. Mas não se trata apenas de refletir acerca do estatuto da obra de arte, mas de como o destino da arte na cultura ocidental assinala o lugar do homem na história, o que pode conduzir a uma reflexão de cunho político. Esta obra visa mostrar que a reflexão de Agamben acerca da arte e da estética é condição para a compreensão dos rumos que seu pensamento político iria tomar. Sumário - Prefácio; Nota do tradutor; I. A coisa mais inquietante; II. Frenhofer e o seu duplo; III. O homem de gosto e a dialética da dilaceração; IV. A câmara das maravilhas; V. Les jugements sur la poésie ont plus de valeur que la poésie; VI. Um nada que nadifica a si mesmo; VII. A privação é como um rosto; VIII. Poíesis e prâxis; IX. A estrutura original da obra de arte; X. O anjo melancólico; Posfácio; Coleção Filô; Série Filô Agamben.

O TEMA REVELA UMA APROXIMAÇÃO DA NOÇÃO DE VALOR CULTURAL, IDENTIFICANDO A IMPORTÂNCIA DOS PROCEDIMENTOS RITUAIS E COMO ESTES COMUNICAM A DISTINÇÃO (BOURDIEU) ENTRE O HOMEM COMUM E O HOMEM DE BOM GOSTO (AGAMBEN).ESTAS LEITURAS DE CUNHO ETNOGRÁFICO NÃO PERMITEM MENSURAR AS AÇÕES NO MERCADO INTERNACIONAL E A ESPECULAÇÃO, PORTANTO NÃO DÃO CONTA DE APREENDER OS PROCESSOS DE INTERNACIONALIZAÇÃO E AS POSSÍVEIS METODOLOGIAS COMPARATISTAS DE SUA ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO (HUYSSEN).

------------------------------------------------------------------------------2.2

SÉRGIO MICELI, EM ENSAIO SOBRE A ENTRADA DO BRASIL NO MERCADO DE ARTE DOS ANOS 2000 É BASTANTE SINTÉTICO E ATUAL, FAZ UM EXCELENTE RECORTE HISTÓRICO E SOCIAL QUE APREENDE A FORMAÇÃO DO CAMPO SOCIAL ARTÍSTICO NACIONAL (EIXO RJ-SP) QUANTO ÀS TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS ASSOCIADAS. AFIRMA O SURGIMENTO DE UMA TRADIÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA DITA ESPETACULARIZADA QUE COMBINA
  • A DIMENSÃO ECONÔMICA FINANCEIRA - INTERNACIONALIZAÇÃO E EXPORTAÇÃO DO MERCADO DE ARTE BRASILEIRO COM A 
  • A CULTURA DO MARKETING, QUANDO SE TRATA DE MEGAEVENTOS E MEGAEXPOSIÇÕES E PRODUÇÕES E COM A 
  • ARTICULAÇÃO INTERNACIONAL DE GRUPOS CURATORIAIS E AGENTES LOCAIS, QUANDO SE TRATA DE UM CAMPO AINDA RECONHECIDAMENTE ERUDITO
ISSO DEMONSTRA QUE UMA ECONOMIA DAS ARTES E UM MERCADO DE ARTE SOFREU UMA TRANSFORMAÇÃO GLOBAL E QUE ESTA AFETOU OS MODELOS DE COMPOSIÇÃO INTERNA DO MERCADO BRASILEIRO. ATÉ 1960, OS AGENTES DOS MERCADOS DE ARTE ERAM O FRUTO DE UMA COMBINAÇÃO SETORIAL.COM A CRIAÇÃO DE GRANDES INSTITUIÇÕES ENTRE OS ANOS 1950-60 E A CONSOLIDAÇÃO DAS BIENAIS NO BRASIL, O IMPACTO DO CAMPO CULTURAL SOBRE O ECONÔMICO É CONTROLÁVEL PELOS AGENTES QUE IRÃO INTEGRAR O MERCADO. SÃO AS FIGURAS DE 

  • PERFIS INSTITUCIONAIS
  • PERFIS POLÍTICO-DOUTRINÁRIOS E OS 
  • AGENTES ARTÍSTICOS PROPRIAMENTE DITOS QUE IRÃO CONSTITUIR O JOGO DO MUNDO DAS ARTES.
SEJA EM QUAL SEGMENTO FOR, ESTAS 3 FIGURAS PASSARÃO A INTEGRAR UMA FORMAÇÃO ELITIZADA. 
  • OS AGENTES FINANCEIROS - SETOR EMPRESARIAL NACIONAL, INDUSTRIAL E FINANCEIRO
  • OS FORMADORES DE UMA CULTURA DAS ARTES - MARCHANDS, GALERISTAS E CRÍTICOS E 
  • OS ARTISTAS
EM DIVERSOS MOMENTOS DEMONSTRARÃO SUAS ALIANÇAS. NO CASO DE ECONOMIAS REGIONAIS/LOCAIS QUANDO FALAMOS DE ALGUMAS CAPITAIS QUE POUCO A POUCO VÃO APONTANDO PARA O CENÁRIO NACIONAL TEREMOS UMA PARCELA REDUZIDA DOS AGENTES FINANCEIROS E UMA PRESENÇA MAIS FORTE DOS FORMADORES DO CAMPO CULTURAL. O QUE FICA EXPLÍCITO É QUE SEMPRE HÁ UMA MARCA DE ERUDIÇÃO EM RELAÇÃO AO MERCADO A SER CONQUISTADA. ESTUDOS SOBRE O VALOR ECONÔMICO ENQUANTO VALOR SIMBÓLICO RESSALTAM COMO OS AGENTES DO CAMPO INSISTEM NUMA HIPERVALORIZAÇÃO DOS CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS PARA ADENTRAR O MUNDO DAS ARTES. A IMPRENSA NACIONAL E REGIONAL TERÁ MUITA RESPONSABILIDADE SOBRE ESTE CAMPO ATÉ A DÉCADA DE 1990, QUANDO A CRISE MUNDIAL FAZ COM QUE MODELOS DE PRODUÇÃO SE MODIFIQUEM RUMO À FLEXIBILIZAÇÃO DO TRABALHO E O SETOR CULTURAL PASSE POR UM FORTE PROCESSO DE ASSOCIAÇÃO AOS DEMAIS PRODUTOS E FORMAS DE TRABALHO NO SETOR DE SERVIÇOS. AGENTES CULTURAIS RELEVANTES PASSAM A SER MENOS RELEVANTES E O MERCADO OFERECE NÃO APENAS OS BENS COMO ALVO DAS DISPUTAS, AGORA SÃO OS ESPAÇOS DE TRABALHO E DE PRODUÇÃO QUE ESTÃO EM JOGO. SER UM AGENTE CULTURAL É TAMBÉM PARTE DA DISPUTA.ISTO NÃO IMPLICA EM DESAPARECIMENTO DA ESPECIALIZAÇÃO PROFISSIONAL, PELO CONTRÁRIO, ESTA PASSA A SER AGORA PARTE DE UMA REDE AMPLIADA, DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS. UMA CARREIRA CURATORIAL EM QUALQUER CAMPO ARTÍSTICO DEPENDE DA CAPACIDADE DE ARTICULAR RELAÇÕES PARA ALÉM DAS ECONOMIAS NACIONAIS, SEJA NO ÂMBITO
  • DO MERCADO DE FEIRAS DE ARTES (ARTES VISUAIS)  E
  • NO MERCADO DE FESTIVAIS (CINEMA E AUDIOVISUAL, ARTES CÊNICAS, CIRCO, TEATRO, DANÇA)
A INTERNACIONALIZAÇÃO, A EXPORTAÇÃO E A NOVA ESCALA DOS EMPREENDIMENTOS NO MUNDO DAS ARTES SÃO FUNDAMENTAIS PARA A COMPREENSÃO DO QUE SE PASSA NO MUNDO DAS ECONOMIAS CULTURAIS. UM MERCADO INTERNACIONALIZADO DEIXA DE OBEDECER AOS CRITÉRIOS NACIONAIS E A IDEIA JÁ FIRMADA DE ARTE INTERNACIONAL BRASILEIRA É AQUELA QUE SERVE PARA A AVALIAÇÃO DE UMA PRODUÇÃO ARTÍSTICA QUE SE DÁ NO BRASIL, MAS PROFUNDAMENTE RELACIONADA AO ÂMBITO GLOBALIZADO. 


Tadeu Chiarelli é professor titular do Departamento de Artes Plásticas da USP, já foi curador-chefe do MAM de São Paulo (1996 – 2000), diretor do MAC USP, e tem livros publicados sobre a história da crítica de arte no Brasil e sobre os artistas Nelson Leirner, Leda Catunda, entre outros.

Este livro é uma coletânea de textos sobre arte brasileira, publicados anteriormente em catálogos, revistas e jornais no país e no exterior. Nesses textos, o autor discute a produção de alguns dos principais artistas do período modernista - entre eles, Cândido Portinari e Anita Malfatti - e de uma série de artistas contemporâneos - Waltércio Caldas, Jac Leirner, Regina Silveira e outros. Em linguagem clara e com textos extremamente informativos, este livro de Tadeu Chiarelli é uma importante contribuição para o entendimento da arte brasileira do século XX.

A EXPERTISE DOS MERCADOS DE ARTE MUDA DE ENFOQUE.INICIALMENTE ESTAVA VOLTADA PARA A CONSTITUIÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DE UM PÚBLICO CONSUMIDOR ESPECIALIZADO. O COLECIONADOR E A CRIAÇÃO DE UM MERCADO DE COLECIONADORES NA ATUALIDADE NÃO SE RESTRINGE A ESSA FIGURA E QUANDO ELA EXISTE, AS COLEÇÕES DEVEM SER CAPAZES DE GERAR NOTÍCIAS, IMPACTOS, GANHAR NOTORIEDADE E VISIBILIDADE, INTEGRANDO A MONTAGEM DAS COLEÇÕES ÀS ESTRUTURAS DO MARKETING DE CULTURA. NÃO BASTA APENAS A EXISTÊNCIA DO MERCADO ESPECIALIZADO E SEU CONSUMO. ELE NÃO REPRESENTA UMA ESTABILIDADE ECONÔMICA, POIS ESTA NÃO SE FUNDA DA LÓGICA SETORIAL. ESTA LÓGICA NÃO PODE SER ANALISADA COMO RELAÇÕES ENTRE 

  • MERCANTILIZAÇÃO DA CULTURA VERSUS
  • ASPECTOS SIMBÓLICOS E RELAÇÕES DE PODER TRAÇADAS POR SEUS AGENTES (FORMAS DE LEGITIMAÇÃO DO CAMPO ARTÍSTICO)
LEILÕES, GRANDES GALERIAS E SEUS EVENTOS, ESPECULAÇÃO RESTRITA, NADA DISTO É SUFICIENTE NA ATUALIDADE. ESTE FOI O MODELO VIGENTE ATÉ A DÉCADA DE 1990. ELE ESTAVA PRESENTE NA FORMAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES CULTURAIS E PÚBLICAS E PRIVADAS E GERAVA A FORMAÇÃO DAS COLEÇÕES. MAS ESTE ERA UM MODELO DE FUNDAÇÕES ERUDITAS NO QUAL OS ARTISTAS OCUPAVAM UM PAPEL ESTRATÉGICO, PARTE INTEGRANTE DO STATUS DAS OBRAS ADQUIRIDAS. A FORMAÇÃO DO ARTISTA ERA ACOMPANHADA PELO PROCESSO DE FORMAÇÃO DO PÚBLICO, INTEGRANDO UM GRUPO SOCIAL HEGEMÔNICO, UM E OUTRO DANDO ESPAÇOS DE LEGITIMIDADE E AUTOLEGITIMAÇÃO. ISTO TAMBÉM SE GARANTIA EM TERMOS DE JOGO DO MERCADO, COMO CONFRONTOS DE CARÁTER COMERCIAL. ARTE ERA UMA FORMA DE INVESTIMENTO EM OBJETOS E EM CARREIRAS. ARTE ERA UM MODO DE AQUISIÇÃO DE STATUS CULTURAL. AFIRMAM DE MANEIRAS DISTINTAS JAMESON E MICELI, A DÉCADA DE 1990 AFIRMA A DESMONTAGEM  DESTE CAMPO E DESTA FORMA DE AGENCIAMENTO CULTURAL.  OS NOVOS AGENTES ESTÃO TODOS PERPASSADOS PELO MARKETING CULTURAL. A LEGITIMIDADE DOS AGENTES FINANCEIROS, SEJAM ELES PÚBLICOS OU PRIVADOS É CONSTITUÍDA PELO MARKETING. O CIRCUITO ERUDITO VISAVA À FORMAÇÃO DE PÚBLICOS ESPECIALIZADOS DENTRO DO CONTEXTO DA COMERCIALIZAÇÃO (CAPITALISMO MERCANTIL DO MERCADO DAS ARTES). ERA A VENDA E O CAPITAL CULTURAL QUE CONFIGURAVAM UMA ALIANÇA. NA ATUALIDADE O IMPORTANTE É FLEXIBILIZAR ESTE CAPITAL CULTURAL PARA GERIR NOVAS FORMAS DE AGENCIAMENTO INTERNACIONAL. RUMO ÀS ARTES TRADICIONALMENTE CONSTITUÍDAS, CUJA 
  • CONSTITUIÇÃO DO ACERVO É MENOS RELEVANTE DO QUE A 
  • IMPORTÂNCIA DA INSTITUIÇÃO PARA UMA CADEIA DE CIRCULAÇÃO COMO PODEM INTEGRAR REDES DE AGENCIAMENTO ALTERNATIVAS, VOLTADAS PARA OS SETORES ECONÔMICOS QUE DÃO ACESSO A OUTROS MODOS DE VALORAÇÃO DO CAPITAL CULTURAL TAIS COMO CULTURAS TRADICIONAIS, CULTURA POPULAR, MAS TODAS ELAS FILTRADAS PELAS QUESTÕES QUE SE TORNAM VISÍVEIS NO CAMPO DA URBANIDADE.
HOJE É MAIS IMPORTANTE RECEBER EXPOSIÇÕES OU FESTIVAIS DO QUE POSSUIR ACERVOS.É A CIDADE QUE FUNCIONARÁ COMO FILTRO. EM AMBOS OS CASOS HÁ UMA LÓGICA DE BANCO DE DADOS OPERANDO. SEJAM
  • OS DADOS QUE JUSTIFICAM A RECEPÇÃO POR PARTE DE UMA INSTITUIÇÃO DE UMA MEGA EXPOSIÇÃO OU MEGA FESTIVAL, SEJAM
  • OS DADOS QUE EXPRESSAM A RELEVÂNCIA DE UMA CIDADE PARA A RECEPÇÃO DE UMA MEGA EVENTO.
O BANCO DE DADOS ATUA COMO OPERADOR DE ECONOMIAS, A PARTIR DELE QUE PODEMOS OBSERVAR AS CADEIAS GERADORAS DE SERVIÇOS EM TORNO DA EXPOSIÇÃO, DO FESTIVAL, DO EVENTO.
  • O QUE ATRAI?
  • O QUE GERA?
  • QUANTOS SERVIÇOS APARECEM RAPIDAMENTE EM TORNO?
  • QUAL A CIDADE ADEQUADA PARA RECEBER PERFORMANCES?
  • QUAL O PERFIL DE UM LOCAL PARA POSSUIR UM FESTIVAL OU UM PÓLO DE PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA?
  • QUAL A LOCALIDADE QUE ABSORVE UM PROGRAMA PERMANENTE DE BIENAIS?
  • QUEM PODE RECEBER E CONSOLIDAR UM FESTIVAL DE DANÇA OU TEATRO?
SÃO QUESTÕES PENSADAS POR ESPECIALISTAS EM MARKETING DE CULTURAS PARA O SETOR EMPRESARIAL E QUE DETERMINAM A ELEIÇÃO DOS PATROCÍNIOS.TUDO ISSO AFETA DIRETAMENTE O CAMPO DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA, AS CARREIRAS, O PROCESSO FORMATIVO, O PAPEL SOCIAL E O AUTOENTENDIMENTO DO ARTISTA E DA ARTE.  ESTAS SÃO AS REDES AVALIATIVAS QUE PRÉ-DETERMINAM, POR AGENDAS, UM VASTO CONJUNTO DE ACONTECIMENTOS E NISTO AFETAM A LOCALIZAÇÃO DE CADA PRODUTO. CADA CIDADE OU LOCALIZAÇÃO GEOPOLÍTICA CULTURAL FORMA UM ENCLAVE CULTURAL E ECONÔMICO QUE IRÁ AFETAR A INSTALAÇÃO DOS MERCADOS COMERCIAIS.  ESTE LÓCUS ESTARÁ ATRAVESSADO POR MAIS DUAS MANEIRAS DE AGENCIAMENTO, A DAS
  • POLÍTICAS DE ESTADO E DO
  • DINHEIRO CORPORATIVO
SEM ISTO NÃO PODEMOS COMPREENDER A CONSOLIDAÇÃO DE ECONOMIAS DE ARTE E CULTURA, POIS ESTAS NÃO SÃO PARTE DE MERCADOS DE ORDEM MERCANTIL, MAS DE ORDEM FINANCEIRA, PENSANDO QUE O CAPITAL EM ÚLTIMA INSTÂNCIA DEVE SER CAPAZ DE GERAR MAIS CAPITAL FINANCEIRO. O DINHEIRO JÁ NÃO É UM MEIO DE TROCA. COMO JÁ ENUNCIAVA JAMESON, MAS UM MEIO FIM.

------------------------------------------------------------------2.3

ECONOMISTA XAVIER GREFFE: METODOLOGIA DE MÚLTIPLOS PONTOS DE VISTA. OBSERVAÇÃO DAS COMPLEXAS RELAÇÕES ENTRE DIFERENTES SETORES E AGENTES DA ECONOMIA CULTURAL. COMPREENDER A FORMAÇÃO DE UM CAMPO ECONÔMICO: OBSERVAR ATENTAMENTE AS DIFERENÇAS MAS TAMBÉM AS FUSÕES ENTRE SETORES E ATORES. EX: LÓGICA DE GESTÃO EMPRESARIAL ASSOCIADA ÀS GRANDES CORPORAÇÕES E SUA PARTICIPAÇÃO DA ECONOMIA DAS ARTES AO MESMO TEMPO EM QUE ESTA MESMA EMPRESA SE FAZ VALER DE ARGUMENTOS E ESTRATÉGIAS PRODUZIDAS NO SETOR PÚBLICO DA ECONOMIA, NO DISCURSO DOS ESPECIALISTAS, DOS AGENTES CULTURAIS, DAS INSTITUIÇÕES.AS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS SEGUEM O MESMO DESTINO. NÃO OPERAM SOB A FORMA DO AGENTE PÚBLICO E SEUS ATORES. POR CONTA DA MULTIPLICAÇÃO DAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, SÃO AGORA TAMBÉM GERADORES DE ECONOMIAS PRIVADAS.AGENTES CURATORIAIS INDEPENDENTES ASSOCIADOS DE INSTITUTOS PÚBLICOS OU DE ARTISTAS RESIDENTES DE GRANDES INSTITUIÇÕES PÚBLICAS. NÃO SÃO FUNCIONÁRIOS, MAS ATUAM NO CORPUS DE UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA. OUTRO EXTREMO: INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICA NORTE-AMERICANA E SEUS MODOS DE PRODUÇÃO. OS AGENTES FUNDAMENTAIS SÃO OS GRUPOS DE DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS PRODUTOS. O MERCADO DE CINEMA NÃO EXISTE SEM A DISTRIBUIÇÃO E A ECONOMIA DESTA FORMAÇÃO CULTURAL É DEPENDENTE DA FORMA EXPANSIONISTA DE ATUAÇÃO DOS AGENTES NO MERCADO. NÃO BASTA A CRIAÇÃO DE PROGRAMAS DE FOMENTO À PRODUÇÃO. ISTO HOJE É POUCO RELEVANTE, POIS SE TRATA DE UM SETOR INDUSTRIAL COM REGRAS INTERNAS. O MAIS IMPORTANTE É O MODO COMO O SETOR AGE GLOBALMENTE AFETANDO AS CADEIAS DE PRODUÇÃO EM OUTROS MERCADOS. QUANDO HÁ DEMANDA DE CONSUMO E PRODUTO EXISTENTE É PRECISO MONOPOLIZAR A REDE DE CIRCULAÇÃO PARA AUMENTAR A RECEPÇÃO EM TERMOS QUANTITATIVOS.
ZONA INTERMEDIÁRIA:QUANDO PENSAMOS NA ECONOMIA DAS ARTES EM MUSEUS DE ARTE INTERNACIONALMENTE RECONHECIDOS. NESTES MUSEUS HÁ UMA COMBINAÇÃO ENTRE

  • ESTRUTURA PÚBLICA E PRIVADA
  • CELEBRAÇÃO ESPETACULARIZADA DA EDIFICAÇÃO - ARQUITETURA INTERNACIONAL DE CONCURSOS
  • DISTRIBUIÇÃO E NEGOCIAÇÃO ENTRE AGENTES DE CULTURA E AGENTES FINANCEIROS NO QUE TANGE A VIAGEM DE MEGAEXPOSIÇÕES
  • AGENCIAMENTO CULTURAL NAS FORMAS DA AÇÃO EDUCATIVA
  • TURISMO CULTURAL - OS PEREGRINOS MUNDIAS DA CULTURA E
E EM VOLTA DE TUDO ISSO UM NÚMERO CONSIDERÁVEL DE EMPRESAS E POSTOS DE TRABALHO QUE VIVEM SOB A ÉGIDE DESTA ESPETACULARIDADE, EMPRESAS QUE PROMOVEM O TRABALHO EDUCATIVO, EMPRESAS DE MONTAGEM, EMPRESAS DE SEGUROS.REVELAM DIFERENTES FORMAS DO RELACIONAMENTO ENTRE A ECONOMIA DA CULTURA ENQUANTO NEGÓCIO E O BEM CULTURAL E ARTÍSTICO E ONDE ELE PODE E DEVE CHEGAR.A GLOBALIZAÇÃO APONTA PARA FORMAS DE TURISMO CULTURAL MAS NÃO DEIXAM DE RESSALTAR A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA ACRESCIDA.O MERCADO DAS ARTES EM TERMOS BASTANTE VASTOS É FORMADO DE DIFERENTES ATORES E ESTES MESMOS ATORES TAMBÉM MUDAM DE LÓGICA DE ATUAÇÃO, CONFORME A POSIÇÃO EM QUE SE ENCONTRAM, MUDANDO DE PONTO DE VISTA:
  • C.E.O'S DE GRANDES CORPORAÇÕES
  • ESPECIALISTAS NO CAMPO PÚBLICO EM POLÍTICAS CULTURAIS
  • CURADORES ASSOCIADOS E CURADORES INDEPENDENTES
  • GESTORES DE COLETIVOS E ORGANIZAÇÕES AUTÔNOMAS
  • O ARTISTA INDIVIDUAL E A GESTÃO DA PRÓPRIA CARREIRA
  • DISTRIBUIDORES CULTURAIS - TRANSNACIONAIS, NACIONAIS, REGIONAIS E LOCAIS
  • PRODUTORES CULTURAIS - TRANSNACIONAIS, NACIONAIS, REGIONAIS E LOCAIS
  • AGENTES DOS SISTEMAS TRADICIONAIS DAS ARTES E DO CAMPO ERUDITO - CRÍTICO DE ARTE, MARCHAND, GALERISTA
  • COMERCIANTES DE ARTES
  • PROMOTORES DE FEIRAS INTERNACIONAIS E PROMOTORES DE GRANDES FESTIVAIS - CINEMA E ARTES DA CENA
ISTO DEMONSTRA O VASTO CAMPO DA CULTURA COMO NEGÓCIO E REMONTA A QUESTÃO ECONÔMICA AO SEU IMPACTO SETORIAL DA ECONOMIA GLOBAL, SUA POSIÇÃO ESTRATÉGICA DE ORDEM POLÍTICA, SUA FACETA ÉTICA E SOCIAL. É DAS FORMAS COMO OS AGENTES AVALIAM OS INVESTIMENTOS FINANCEIROS (E A INVERSÃO DE VALORES FINANCEIROS NO CAMPO DA CULTURA E DAS ARTES) QUE PODEMOS OBSERVAR E DIAGNOSTICAR O POTENCIAL DE UMA INSTITUIÇÃO / DE UM ARTISTA. COMO ANALISTA ECONÔMICO DO CAMPO CULTURAL XAVIER GREFFE APRESENTA QUESTÕES DE RELEVÂNCIA PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA ACERCA DO QUE IMPORTA HOJE A ESTAS ECONOMIAS E SEUS MODOS DE GESTÃO. QUESTÕES ECONÔMICAS NÃO PODEM SER APENAS DIRIGIDAS DE MODO A FORMAR QUADROS E TABELAS DE CUNHO ESTATÍSTICO. NO QUE TANGE AO BEM CULTURAL, ELA DEVE ENVOLVER 
  • UMA REPRESENTAÇÃO DOS BENS QUE ESTÃO SENDO COLOCADOS EM JOGO
  • A IDENTIFICAÇÃO DE MARCAS
  • A CONFIANÇA NO PRODUTO
  • AS RELAÇÕES ENTRE CUSTO E BENEFÍCIOS QUE ATINGEM DIRETAMENTE APENAS A FORMAÇÃO DOS PÚBLICOS - MOMENTO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DESTINADO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DE LONGA DURAÇÃO
  • A GERAÇÃO DE IMPACTOS NA MOBILIZAÇÃO DOS PÚBLICOS - NO SENTIDO ESTRITAMENTE ECONÔMICO
A ECONOMIA TRATA O AGENTE ENQUANTO CONSUMIDOR EM TODOS OS MOMENTOS DA CADEIA DE CRIAÇÃO EM ARTE, PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E RECEPÇÃO (CULTURAL, POLÍTICA, PEDAGÓGICA). TODOS SOMOS CONSUMIDORES EM LARGA ESCALA. 
  • CONSUMIMOS ENQUANTO CRIAMOS
  • CONSUMIMOS ENQUANTO PRODUZIMOS
  • CONSUMIMOS ENQUANTO ESTAMOS INTEGRADOS A CIRCUITOS DE DISTRIBUIÇÃO - FESTIVAIS E EDITAIS SÃO MODOS DE DISTRIBUIÇÃO
  • CONSUMIMOS ENQUANTO ATUAMOS NA ESFERA AMPLA DA RECEPÇÃO DOS BENS ARTÍSTICOS E CULTURAIS
A ECONOMIA TRATA DA ARTE DO PONTO DE VISTA DE UM ELEMENTO COGNITIVO E FATOR DE COGNIÇÃO. ELA É PARTE 
  • DO AUTORRECONHECIMENTO DO CONSUMIDOR NO OBJETO CONSUMIDO
  • DE AUTOLEGITIMAÇÃO DO ARTISTA E DO MECENATO QUANDO ESTIMULA E FOMENTA
  • DA AÇÃO EDUCATIVA QUE PROVOCA IMPACTOS AMPLIADOS ADVINDOS DA CADEIA DE RECEPÇÃO NAS CADEIAS DE PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E CONSUMO EFETIVO - COM AQUISIÇÃO DE ALGO:
* SEJA UMA OBRA DE ARTE
*UM INVESTIMENTO NA AQUISIÇÃO DE UM OBJETO TECNOLÓGICO
*UMA APLICAÇÃO EM FUNDOS DE CULTURA PRIVADOS
*A AQUISIÇÃO DE UMA ENTRADA PARA UM ESPETÁCULO
*OU DE UMA INSERÇÃO NUM TIPO DE ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS QUE AMPLIA SEUS DIREITOS EM RELAÇÃO A ACESSOS A PROGRAMAS CULTURAIS
*OU AINDA, TORNAR-SE INVESTIDOR DIRETO EM FUNDAÇÕES DE CULTURA, QUANDO PODEMOS AFETAR A POLÍTICA DAS PROGRAMAÇÕES

PORTANTO UMA AVALIAÇÃO E VALIDAÇÃO ECONÔMICA DEVEM CONSIDERAR TODOS ESSES ELEMENTOS QUE SÃO CAUSA DE AMPLIAÇÃO DAS ESFERAS DE CONSUMO. CONSUMO NÃO É APENAS AQUISIÇÃO, POIS NÃO SE TRATA DE UMA ECONOMIA MERCANTIL DE MERCADO DE COMPRA E VENDA SIMPLESMENTE. CONSUMO É TAMBÉM INFORMAÇÃO QUE DETERMINA A CONTINUIDADE DE UMA FREQUENTAÇÃO DOS ATORES NUM MERCADO DE BENS CULTURAIS E ARTÍSTICOS. ARTISTAS E SEUS AGENCIADORES DIRETOS (GALERISTAS, FEIRANTES, MARCHANDS, CURADORES, PRODUTORES, DISTRIBUIDORES) DEVEM SER CAPAZES DE AVALIAR COM SUAS AÇÕES OS IMPACTOS E A REPERCUSSÃO, REDISTRIBUIÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DOS PRODUTOS E DOS SEUS AGENTES.
UM LIVRO OU CD MUSICAL AO PASSAR PELA WEB NUMA FORMA DE DISTRIBUIÇÃO GRATUITA TEMPORÁRIA, PERDE INICIALMENTE EM COMERCIALIZAÇÃO DIRETA (VENDA DE PRODUTO) PARA SE TRANSFORMAR NUMA VENDA DE ACESSOS. COMO ESTES ACESSOS SE TRANSFORMAM EM PARTE DO PRODUTO E GERAM LUCROS QUANDO DA VENDA DE UM PROJETO EXPOSITIVO? SÃO NOVOS MODELOS DE GESTÃO DOS NEGÓCIOS DOS BENS CULTURAIS E ARTÍSTICOS E NÃO PASSAM APENAS PELO SEGREDO E A INDIVIDUALIDADE DE UM BEM DE ARTE. COMO UMA EMPRESA OU ARTISTA ENQUANTO PRODUTOR-DISTRIBUIDOR-NEGOCIANTE PODE DETERMINAR ATÉ QUE PONTO SEU PROCESSO CRIATIVO DEVE SE TRANSFORMAR EM PRODUÇÃO/PRODUTO? EM QUAL ESCALA ISTO DEVE SER PENSADO E QUANTOS OUTROS PROCESSOS E PRODUTOS PODEM ESTAR A ELE ASSOCIADOS, SEM PERDAS SIGNIFICATIVAS PARA O PROCESSO CRIATIVO? POIS ESTAMOS NESTA FASE DA CONCEPÇÃO DO MUNDO DO ARTISTA, EM TERMOS ECONÔMICOS. QUANDO UM ARTISTA/COMPANHIA DE TEATRO/DANÇA/ UMA EDITORA PODEM INTRODUZIR ESTAS ASSOCIAÇÕES NO SEU PERFIL E MARCA E COMO REALIZAR A GESTÃO DESSE PROCESSO? HAVERIA UM MARKETING CRIATIVO E ARTÍSTICO QUALQUER A OUTRAS FORMAS DE SERVIÇOS E BENS CULTURAIS? CLARO QUE SIM. ESTE É CHAMADO FATOR ECONÔMICO NO SENTIDO AMPLO DO TERMO. DEVE SER AVALIADO QUANDO VAMOS PRODUZIR, DISTRIBUIR OU CONSUMIR DETERMINADOS BENS. NA ECONOMIA CONTEMPORÂNEA DAS ARTES, NÃO SE TRATA APENAS DE ADQUIRIR UM BEM (UMA ESCULTURA) E UM VALOR A ELA DIRETAMENTE AGREGADO. OU ASSISTIR A UM ESPETÁCULO DE UMA IMPORTANTE COMPANHIA MUNDIAL E COLOCAR ISTO NO PRÓPRIO CURRÍCULO.O CONSUMIDOR CONTEMPORÂNEO ACOSTUMADO AO SISTEMA MUNDIALIZADO DE CONSUMO, NÃO SE CONTENTA COM A APRESENTAÇÃO DE UM PRODUTO PARA A PURA COMPRA. O VALOR CONSTITUÍDO NAS AUTOLEGITIMAÇÕES DO CAMPO CULTURAL SÓ SERVEM AOS PRÓPRIOS AGENTES. O ESPETÁCULO DE UMA COMPANHIA CONTEMPORÂNEA INTERNACIONAL VALE PARA O CURRÍCULO DE UM JOVEM ARTISTA DO PRÓPRIO MEIO. ELE IRÁ UTILIZAR ISTO COMO CAPITAL CULTURAL SIMBÓLICO. ELE IRÁ DIVULGAR SUAS AÇÕES. ISTO VAI DE UMA AQUISIÇÃO A ESTAR PRESENTE NUM SEMINÁRIO COM FIGURAS IMPORTANTES DO SETOR. ISTO É AINDA A LÓGICA DA SUA CULTURA DOS GRUPOS ARTÍSTICOS CULTURAIS.NA ATUALIDADE, EM FUNÇÃO DOS NOVOS PERFIS DO MERCADO, DOS INVESTIDORES E DOS CONSUMIDORES, QUANDO SE PENSA O MARKETING ENCADEADO:

  • QUAIS AS POSSIBILIDADES DE USOS E SERVIÇOS QUE SERÃO GERADOS EM TORNO DE UM FESTIVAL OU DE UMA EXPOSIÇÃO?
  • COMO PODERÃO SER AMPLIADAS AS AUDIÊNCIAS A CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO?
  • COMO PROVOCAR E MANTER A ATENÇÃO DO PÚBLICO CONSUMIDOR?
  • COMO GERAR INFORMAÇÃO E IMPACTO CAPAZ DE SUSTENTAR A MANUTENÇÃO DE UM PÚBLICO? - ECONOMIA DA ATENÇÃO (XAVIER GREFFE)
  • COMO SEGMENTAR PÚBLICOS?
  • COMO ATENDER PÚBLICOS AMPLOS E SEM PERFIL ESPECIALIZADO?
TODAS ESTAS QUESTÕES ESTÃO EMBUTIDAS QUANDO CALCULAMOS OU DIVIDIMOS EM DIVERSOS MOMENTOS DA CADEIA PRODUTIVA O PREÇO DE UM PRODUTO QUALQUER.ENVOLVEM EFETIVAMENTE O CUSTO PARA O CONSUMIDOR, EM TERMOS COGNITIVOS, AVALIATIVOS, DE AÇÕES ASSOCIADAS E O VALOR/PREÇO PROPRIAMENTE DITO. UMA BOA AVALIAÇÃO ECONÔMICA NÃO DEIXA DE CONSIDERAR AS QUESTÕES POLÍTICAS E OS AGENTES SOCIAIS ENVOLVIDOS. EM BENS CULTURAIS A RELAÇÃO MERCANTIL É EXCLUDENTE E SIMPLIFICA AS AÇÕES DO CAMPO. DADOS NUMÉRICOS SÃO IMPORTANTES (NÚMERO DE FREQUENTADORES DE UMA EXPOSIÇÃO). MAS NÃO SÃO OS ÚNICOS DADOS A SEREM CONSIDERADOS NO CHAMADO SUCESSO ECONÔMICO DE UM BEM CULTURAL.O SETOR ARTÍSTICO E CULTURAL DA ECONOMIA DEVE SER CAPAZ DE AVALIAR NÃO SOMENTE O IMPACTO DIRETO, MAS TAMBÉM O INDIRETO. QUANTOS ANOS SERÃO NECESSÁRIOS DE INVESTIMENTO NUM FESTIVAL OU NUM EVENTO CIENTÍFICO ARTÍSTICO, PARA QUE ELE SEJA CAPAZ DE GERAR E DAR GESTÃO A UMA ECONOMIA PRODUTIVA EM SEU ENTORNO E GERAR TODA UMA ECONOMIA DE TURISMO CULTURAL ASSOCIADA AO PERFIL DO EVENTO/ DO PRODUTO? SE FAZ NECESSÁRIA UMA POLÍTICA DE CULTURA E ARTE, CAPAZ DE TRAÇAR PLANOS E VOCAÇÕES ECONÔMICAS. ESTAS NÃO DEVEM SERVIR A VISÕES SETORIAIS, MAS A UM PENSAMENTO AMPLIADO DE INSERÇÃO INTERNACIONALIZADA.ARTE E CULTURA SÃO FONTES E RECURSOS ECONÔMICOS. 
---------------------------------------------------------------------------------------------------------2.4
SALTAMOS PARA MAIS UMA DIMENSÃO DA ECONOMIA, A POLÍTICA. INVESTIMENTOS NÃO PROPICIAM APENAS RESULTADOS DIRETOS EM TERMOS NUMÉRICOS E FINANCEIROS. INVESTIMENTO EM CULTURA E EM ARTE É UM POSICIONAMENTO POLÍTICO ESTRATÉGICO, QUE REVELA ALGO MAIS DO JOGO DAS FORÇAS NO CENÁRIO GLOBAL. ENTENDEMOS QUE ALGUMAS QUESTÕES ENCADEADAS APONTAM PARA A DEFINIÇÃO DOS MERCADOS, DO PONTO DE VISTA POLÍTICO:
  • A RELAÇÃO DO MERCADO COMO FORMA ASSOCIADA AO MECENATO, REVELANDO CONTRAPOSIÇÕES E AFINIDADES ENTRE O SISTEMA DAS ARTES E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA, BEM COMO AS POLÍTICAS DAS INSTITUIÇÕES PRIVADAS E DAS CORPORAÇÕES
  • ENTENDIMENTO DA PARTILHA QUE DEVE EXISTIR ENTRE AS POLÍTICAS DE FOMENTO, AS POLÍTICAS DE ESTRUTURAÇÃO, O MECENATO E O MERCADO, MODIFICANDO O PAPEL DO ESTADO, QUE DEVERIA PASSAR DO PATRONATO PARA O GESTOR DA POLÍTICA E NÃO DA PRODUÇÃO CULTURAL ARTÍSTICA
  • PROBLEMÁTICA ESPECÍFICA E DE CUNHO HISTÓRICO: 
*O MODO COMO OS ESTADOS FORAM OS SUBSTITUTOS DOS PRÍNCIPES NA ESTRUTURA DO MECENATO (MODELOS DE ENCOMENDAS) E ACABARAM POR SE TORNAR OS PATRONOS E OS PATRÕES DOS ARTISTAS E DA ARTE.
*E COMO ESTA VERSÃO TRADICIONAL SE COMBINA E DEVE SER COMBINADA COM UMA IDEIA DE UM ESTADO QUE NÃO É MAIS O AGENTE PROMOTOR DA PRODUÇÃO E UM ATOR DECISIVO NA DEFINIÇÃO NÃO SOMENTE DA POLÍTICA, MAS DOS CONTEÚDOS E FORMAS REVELADOS NO CORPUS DAS OBRAS E DAS PRÁTICAS ARTÍSTICAS. 
*O ESTADO GESTOR DE POLÍTICAS SERIA RESPONSÁVEL PELO FIEL DA BALANÇA DA TENDÊNCIA À PRIVATIZAÇÃO DA CULTURA E FARIA O ENFRENTAMENTO AOS GRANDES GESTORES CORPORATIVOS. 
OS MERCADOS E O SISTEMA FINANCEIRO NÃO VIVEM APENAS DAS LEIS DO MERCADO E SUA MITOLOGIA DE AUTONOMIZAÇÃO E FLEXIBILIZAÇÃO. A ESTRUTURA ECONÔMICA É TAMBÉM PARTE DE UM CONJUNTO DE POLÍTICAS DE CULTURA E DAS SUAS FORMAS DE GESTÃO.
  • COMO CONSTITUIR MERCADOS QUE SEJAM CAPAZES DE FORTALECER A PORTABILIDADE DA CULTURA (TEIXEIRA COELHO) E A CAPACIDADE DE REUNIR CONJUNTOS DE TRADIÇÕES MILENARES E DE TRADIÇÕES POPULARES EM MERCADOS ATUAIS E PÚBLICOS, EM DIÁLOGO COM AS CULTURAS GLOBALIZADAS?
  • NÃO SERIA ESTE O PAPEL DO ESTADO ENQUANTO AGENTE LEGISLADOR E PROMOTOR DE UM CAMPO POLÍTICO ABERTO?
  • COMO CONSTITUIR MERCADOS NACIONAIS ABERTOS QUE SEJAM CAPAZES DE ENFRENTAR AS ORGANIZAÇÕES DO TIPO QUE EXISTEM NO MERCADO INTERNACIONAL DE PRODUÇÃO CULTURAL E ARTÍSTICA?



Jose Teixeira Coelho Netto
Possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e Universidade Guarulhos (1971), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1976) e doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (1981), pós-doutorado na University of Maryland, EUA (2002). Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo, aposentado. Professor emérito da Universidade de São Paulo em 2015. Anteriormente, diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP (1998-2002) e curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo-MASP (2006-2014). Foi professor de Teoria da Informação e Percepção Estética e de História da Arte da Faciuldade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. É especialista em Politica Cultural e colaborador da Catedra Unesco de Politica Cultural da Universidad de Girona, Espanha. Coordenador do curso de especialização em gestão e política cultural do Observatório Itaú Cultural em colaboração com a Universidade de Girona desde 2008. Curador de diversas exposições realizadas no Brasil e no exterior; co-curador da Bienal de Curitiba 2013 e curador-chefe da Bienal de Curitiba em 2015. Autor de diversos livros sobre cultura e arte, é ficcionista (PremioPortugal Telecom 2007 pelo livro Historia Natural da Ditadura, publicado em 2006 pela Ed. Iluminuras).
  • COMO FAZER COM QUE ESTES MERCADOS NACIONAIS NÃO SE TRANSFORMEM NA TENDÊNCIA À LETARGIA DAS ORGANIZAÇÕES E CLIENTELISMO LOCAL-REGIONAL? 
DO MODO COMO CERTOS AGENTES DA CULTURA E DA ARTE POR EFEITOS DE AUTOLEGITIMAÇÃO E DE MECANISMOS DE RECONHECIMENTO MÚTUO ENTRE PARES, FUNDAM A AUTONOMIA DE UM CAMPO ARTÍSTICO LOCAL E PASSAM A OCUPAR DE FORMA PERMANENTE OS EQUIPAMENTOS PÚBLICOS.SÃO MUITAS AS QUESTÕES DE ORDEM POLÍTICA QUE ESTÃO INSUFLADAS NO CAMPO DAS ECONOMIAS.
UMA QUESTÃO MACROPOLÍTICA:

  • COMO CRIAR CONDIÇÕES PARA GERAR DESESTRUTURAÇÕES PROGRAMADAS AMPLIANDO A PRODUÇÃO E O MERCADO?
  • COMO PENSAR UMA POLÍTICA PÚBLICA QUE PERMITE PROMOVER A SUSTENTABILIDADE, EM LONGO PRAZO, DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA, ABRINDO-SE EFETIVAMENTE PARA AS FORMAS DE GESTÃO AUTÔNOMA?
  • COMO SAIR DA POSIÇÃO TRADICIONAL DO ESTADO MECENAS PARA UM FOMENTADOR DE POLÍTICAS?
  • O QUE DEVE SER PRIVILEGIADO PARA QUE ISTO OCORRA?
NAS CULTURAS TRANSNACIONAIS, O QUE CABERIA AOS ESTADOS SERIA GERAR OS MECANISMOS NECESSÁRIOS PARA A MANUTENÇÃO DA TENSÃO NOS PROCESSOS DE VALORAÇÃO DA ARTE E DA CULTURA, DESDE OS PROCESSOS E GESTOS ARTÍSTICOS ÀS OBRAS PROPRIAMENTE DITAS. 

LUCÍNA JIMÉNEZ: http://v.tolanimedia.com/view-video/jRF9QBHRDv0/mdulo-1--curso-de-especializao-em-gesto-cultural-2009--parte-46.html

COMO APONTA LUCÍNA JIMÉNEZ O ESTADO NÃO DEVE SER APENAS AGENTE DE FOMENTO À PRODUÇÃO EM ARTE E CULTURA, POIS QUANDO FAZ ISTO ACABA POR SER ELE PRÓPRIO O PROMOTOR DE UMA DETERMINADA VISÃO DAS ARTES, DIZENDO ACERCA DO QUE DEVE SER PRODUZIDO (A PROGRAMAÇÃO).TAMBÉM NÃO CABE AO MERCADO EXCLUSIVAMENTE ESTE PAPEL. COLOCAR NA FLUTUAÇÃO DOS NÚMEROS O FOMENTO É CONFIRMAR A PRIVATIZAÇÃO DO SETOR CULTURAL. CABE AO ESTADO E ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA, NO SENTIDO DAS RELAÇÕES ENTRE ECONOMIA E POLÍTICA, FAZER UMA AGENDA DE QUESTÕES QUE ENVOLVEM:

  1. GARANTIR A SUSTENTABILIDADE E AUTOGESTÃO DOS GRUPOS, ARTISTAS E PRÁTICAS CULTURAIS E ARTÍSTICAS AS MAIS DIVERSAS
  2. QUESTIONAR O MODO COMO OS AGENTES, SEJAM ELES PRIVADOS/ PÚBLICOS, INDIVIDUAIS/ COLETIVOS, DESENVOLVEM SUAS POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS PARA A FORMAÇÃO E AMPLIAÇÃO DOS PÚBLICOS, QUESTIONANDO A RESPONSABILIDADE DE TODOS OS AGENTES CULTURAIS ENQUANTO AGENTES ECONÔMICOS
  3. DESESTABILIZAR AS ESTRATÉGIAS TRADICIONAIS DE AUTOLEGITIMAÇÃO DOS PRODUTORES DE CULTURA E ARTISTAS, PROMOVENDO POLÍTICAS E PRÁTICAS DE AGENCIAMENTO DE FLEXIBILIZAÇÃO E UMA ESTRUTURA DE IMPERMANÊNCIAS, DESORGANIZANDO OS TERRITÓRIOS CULTURAIS JÁ INSTITUÍDOS E SUAS FORMAS DE REITERAÇÃO E REIFICAÇÃO DE CERTOS AGENTES.
  4. ESTABELECER MARCOS POLÍTICOS PARA A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ECONÔMICO
  5. AMPLIAR O DEBATE SOBRE PROGRAMAS PARA A DISTRIBUIÇÃO CULTURAL, POIS A DISTRIBUIÇÃO É A ZONA DE CONFLUÊNCIA, POR EXCELÊNCIA, ENTRE ECONOMIA E CULTURA. NÃO É PAPEL PRIMORDIAL DO ESTADO FOMENTAR A PRODUÇÃO PARA O ACÚMULO DE BENS CULTURAIS, MAS SER UM ATOR QUE CONSTITUI UM CAMPO SÓLIDO PARA A DISTRIBUIÇÃO E PORTANTO, GERAR A AFLUÊNCIA DE UMA PRODUÇÃO.