quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Romero Britto: um artista polemizado

Trabalho há alguns anos vendendo quadros emoldurados com posteres do Romero Britto. As imagens são adquiridas com COPYRIGHT através de vários fornecedores online como por exemplo a Original Artes (http://www.originalartes.com/).

Quando solicitado, os moldureiros refilam as gravuras manualmente, de modo que algumas partes das imagens saem do plano e passam a ter efeito 3D, o que aumenta o sentido de exclusividade do nosso trabalho. Isso acontece predominantemente nas imagens do Britto por causa do traço grosso e preto que separa as figuras, quase como se fosse uma "colagem" permitindo sub-dividir a imagem e escolhendo as partes que deseja destacar. Isso é feito manualmente com estilete, por isso não é sugerido fazer em outros tipos de imagem pois o acabamento não fica legal. Nos traços grossos do artista cearense existe uma margem de erro para o moldureiro refilar.


Quando a loja inaugurou em Uberlândia há 4 anos, era uma febre! Todos os clientes queriam ter um Romero Britto em casa, mesmo sendo reproduções. O campeão de vendas sempre foi o famoso THE HUG. Em sua maioria, seria colocado em cima do sofá, na sala de TV, ou na sala de estar - pelo fato de ser bastante colorido e trazer um ar de alegria na casa. Até mesmo em ambientes mais clássicos os clientes arriscavam colocar o quadro, para "quebrar" os tons mornos dos móveis ou paredes. No início eu tinha resistência com o produto, mas depois me acostumei e passei a entender arte como mercadoria dentro do sistema de consumo no país, aceitei a ideia, mesmo que ainda não tenha afinidade com o grafismo de Britto.

De uns tempos pra cá a procura por esse tipo de gravura diminuiu pois as pessoas estão considerando como "over" ou ultrapassado, já ficou batido demais - é o que dizem. De fato a grande concepção mercadológica do artista - e admirável a meu ver - levou sua obra à vários produtos de  utilidade cotidiana e o que é melhor, levou ARTE PARA AS MÃOS DA POPULAÇÃO BRASILEIRA - quebrando o paradigma da ARTE ELITIZADA. Alguns criticam essa ideia, outros acham mirabolante. Afinal, o que os artistas querem é reconhecimento e prestígio da sua obra, mas tenho certeza (e digo isso por conhecimento de causa porque sou artista também)que os artistas querem mais VALORIZAÇÃO no mercado.


Acho péssimo só criticar e não ter argumentos para discutir o mercado de arte em esfera nacional ou global vendo prós e contras. Vamos nos inspirar e fazer acontecer como ele fez (e está fazendo)?



Ver o quadro na loja é uma coisa. Ver o quadro instalado no ambiente é outra.


Como o próprio artista diz: "quando falam mal do meu trabalho, vendo mais!"

http://gq.globo.com/Prazeres/Poder/noticia/2014/11/romero-britto-o-brasileiro-mais-poderoso-e-odiado-da-arte-contemporanea.html