quinta-feira, 5 de novembro de 2015

cap 1: anos 60: a emergência do mercado moderno, mobilizações e disputas simbólicas

BRASIL: DÉCADA DE 60: IMPORTANTE ETAPA DA MODERNIZAÇÃO INTERNACIONALIZANTE. SISTEMA DA ARTE ORIENTADO PELA LÓGICA DE DISTINÇÃO SOCIAL: INTEGRADO AO PROJETO DESENVOLVIMENTISTA. (ELITE BRASILEIRA). SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES. INTEGRAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA A UMA CONDIÇÃO MAIS AVANÇADA DO CAPITALISMO, MONOPOLISTA.

CRISE DESTE PROJETO (1961-64) FOI UM PERÍODO DE CRESCENTE MOBILIZAÇÃO, SETORES SOCIAIS DESCONTENTES, ALTERNATIVAS DE DESENVOLVIMENTO, MAIS IDENTIFICADAS COM O MODELO POPULISTA DA ERA VARGAS. MOBILIZAÇÃO POPULAR: ATIVOU DINÂMICA CULTURAL MAIS POLITIZADA, CLASSES TRABALHADORAS.SETORES DA INTELECTUALIDADE BRASILEIRA: NOVO MODELO DE ATUAÇÃO ARTÍSTICA. LUTAS SOCIAIS. PRÁTICAS ARTÍSTICAS (TEATRO, MÚSICA E CINEMA) TENDÊNCIAS DEMOCRATIZANTES, ALTERANDO SUA PRODUÇÃO E SUAS FORMAS DE DIFUSÃO. AS ARTES VISUAIS SE MANTIVERAM, PRATICAMENTE, À MARGEM DAS MOBILIZAÇÕES.



SISTEMA SEGUIA O SEU CURSO: ATUALIZAÇÃO FORMAL INTERNACIONALIZANTE. PREDOMÍNIO DAS TENDÊNCIAS ABSTRACIONISTAS (DESDE 1950). APOGEU: CONCRETISMO E NEOCONCRETISMO. RENOVAÇÕES: SEM MAIORES ALTERAÇÕES NA ESTRUTURA DO SISTEMA, SEM QUE AS DISPUTAS SOCIAIS, QUE CONFLITAVAM A SOCIEDADE, O ATINGISSE.

"Pelo contrário, as artes visuais foram apresentadas como sinônimo de estabilidade e valor garantido."P.24

NESSE PERÍODO: MERCADO DE ARTE: NOVO PERFIL: GALERIAS EMPRESARIAIS. A CRISE QUE ENVOLVIA MUITOS SETORES DA SOCIEDADE BRASILEIRA NÃO O ATINGIA. JORNAIS E REVISTAS, ARTES VISUAIS: INVESTIMENTO SEGURO E EM ASCENSÃO.

"Um espaço digno de confiança para as elites depositarem seus ganhos e auferirem um status social. A arte era vista em módulos publicitários como um signo da modernidade que as elites implantavam desde a década de 1950, com o fortalecimento de um parque industrial de bens de consumo duráveis."P. 24

DESENVOLVIMENTISMO E MODERNIDADE ARTÍSTICA: SIGNOS NOVOS TEMPOS (ELITES). QUESTIONAMENTOS SOCIAIS NÃO ATINGIRAM AS ARTES VISUAIS. PÚBLICO RESTRITO E SOFISTICADO: IDENTIFICAÇÃO COM O PROJETO DE MODERNIZAÇÃO QUE OS SETORES INTELECTUAIS MÉDIOS QUESTIONAVAM.  MOMENTO DE CRISE: ARTES VISUAIS: ESPAÇO PERMANENTE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, SEM QUESTIONAMENTOS SOCIAIS PROFUNDOS OU GRAVES ANTAGONISMOS.

ARTE MAIS TRADICIONAL, FIGURATIVA, DE INSPIRAÇÃO MODERNISTA, SEGUIA AO LADO DA ABSTRAÇÃO EM 2 VERTENTES:

  • UMA MAIS INFORMAL E INTIMISTA
  • OUTRA MAIS GEOMÉTRICA E RACIONAL
"Em tendências estilísticas diferenciadas que se identificavam com visões de mundo conflitantes, mas que se harmonizavam na manutenção da lógica de DISTINÇÃO no sistema da arte local." P.25

GRANDE NOVIDADE DO PERÍODO:  DINAMIZAÇÃO DO MERCADO DE ARTE. NOVO TIPO DE EMPREENDIMENTO: A GALERIA DE ARTE COM PADRÃO EMPRESARIAL. REALIZAÇÃO DE VERNISSAGES (envernisamento) COMO UM EVENTO CULTURAL E SOCIAL, RIO DE JANEIRO INÍCIO DOS ANOS 1960. MERCADO DE ARTE DE HOJE: PAPEL FUNDAMENTAL NA COMERCIALIZAÇÃO, DETERMINAÇÃO DE VALORES ARTÍSTICOS, CONSOLIDAÇÃO DO TRABALHO DE ARTISTAS VIVOS E ATUANTES. CONTEXTO: AÇÃO DE ALGUNS MARCHANDS NO RJ E SP.

"Eles instalaram galerias que dinamizaram e modificaram o panorama de um mercado em que, até então, a arte era comercializada juntamento com antiguidades e outros objetos de luxo."P.25

Marchand é uma palavra francesa (em português, 'mercador' ou 'comerciante') que, em alguns países não francófonos, designa o profissional que negocia obras de arte.


Galeria Bonino: Mostra Inaugural (1960 : Rio de Janeiro, RJ)

Outros Nomes: Mostra Inaugural da Galeria Bonino (1960 : Rio de Janeiro, RJ)
  • Ficha Técnica
  • Participante
    Aldemir Martins
    Alfredo Volpi
    Antonio Bandeira
    Candido Portinari
    Clorindo Testa
    Di Cavalcanti
    Djanira
    Fayga Ostrower
    Iberê Camargo
    Loio-Pérsio
    Lygia Clark
    Milton Dacosta
    Oswaldo Goeldi 

O CASAL BONINO DE MARCHANDS ARGENTINOS (1960) CRIOU A GALERIA BONINO NO RIO DE JANEIRO. INTRODUZIU NO MEIO ARTÍSTICO A EXPERIÊNCIA COSMOPOLITA QUE TRAZIAM DE BUENOS AIRES. PERSPECTIVA DE ARTICULAÇÃO DE MERCADOS EXTERNOS. EXPOSIÇÃO DE INAUGURAÇÃO: MOSTRA COLETIVA DE ARTISTAS BRASILEIROS E ARGENTINOS, MUITO BEM RECEBIDA PELA CRÍTICA ESPECIALIZADA E PELO PÚBLICO EM GERAL. PRESTÍGIO E INFLUÊNCIA ENORMES AO LONGO DAS DÉCADAS DE 60 E 70. IMPORTANTES EVENTOS DO MEIO ARTÍSTICO.

  • DESTAQUE JB - SELEÇÃO ANUAL DAS MELHORES MOSTRAS
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO
PRESENÇA PERMANENTE DE SUAS EXPOSIÇÕES E DOS SEUS ARTISTAS.

Franco Terranova

Rio de Janeiro - Um dos precursores do mercado de arte no Brasil, o marchand e poeta italiano Franco Terranova morreu nesta segunda-feira, 30, aos 90 anos, vítima de câncer, no Rio de Janeiro, cidade que adotou há 60 anos.
Terranova, ao chegar, passou por dificuldades, mas, confiante, trabalhou e comprou a Petite Galerie, criada em 1953 pelo pintor Mario Agostinelli (1915-2000), transformando a pequena galeria da Avenida Atlântica num dos principais espaços expositivos do Rio. O sucesso cresceu quando ela passou a funcionar em Ipanema, atraindo intelectuais.
Entre os anos 1960 e 1970, a Petite Galerie realizou exposições dos principais pintores modernos do Brasil, entre eles Di Cavalcanti, Guignard, Pancetti e Volpi. Ele é também lembrado como o descobridor de artistas contemporâneos como Ernesto Neto e Jac Leirner, além de grande incentivador de Milton Dacosta, Maria Leontina e Rubem Valentim.

Sua galeria, apesar das dificuldades financeiras, chegou aos anos 1970 ainda vigorosa, mas começou a declinar com a saída do sócio José Carvalho e a transferência de sua sede para a Rua Barão da Torre - a migração do mercado de arte em São Paulo foi outra causa da queda.
Apesar de ter instalado uma filial em São Paulo, em 1961, ela não teve o mesmo êxito da matriz carioca. Em 1972, Terranova levou sua experiência para a Galeria Global, das Organizações Globo.
Foi lá que começou há 40 anos a carreira da marchande Raquel Arnaud, que viria a reunir o maior time de artistas construtivistas nos anos 1980.
Apesar de seus esforços, Terranova sucumbiu à crise financeira em 1983. A Petite Galerie promoveu um leilão de seu acervo e ainda permaneceu aberta nos cinco anos seguintes, encerrando as atividades em 1988. A arte brasileira - especialmente a concreta - deve muito a esse italiano que, estudante de literatura, chegou ao Brasil com 24 anos, após o fim da guerra, da qual participou com aviador.
Antifascista e amigo dos artistas, 70 deles dividiram a missão de ilustrar seu livro Sombras, lançado em 2011, entre eles Cildo Meireles e Waltercio Caldas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(1954)PETITE GALERIE- RIO DE JANEIRO: DINAMIZOU O MEIO DE ARTE, IMPORTANTES EVENTOS, EXPOSIÇÃO DE CAIXAS: MOSTRA DECISIVA NA CONSAGRAÇÃO DE UMA CATEGORIA ARTÍSTICA EMERGENTE: O OBJETO.


JEAN BOGHICI (1960) GALERIA RELEVO-RIO DE JANEIRO: DIFUSÃO DE NOVAS TENDÊNCIAS ESTÉTICAS: APOIO AOS JOVENS DA VANGUARDA CARIOCA. ARTICULADOR DA RELAÇÃO DE ARTISTAS LOCAIS COM O GRUPO FRANCÊS Nouveau Réalisme


Nouveau réalisme (Novo realismo) foi um movimento artístico fundado em 1960 pelo artista Yves Klein e pelo crítico de arte Pierre Restany por ocasião da primeira exposição coletiva dum grupo de artistas franceses e suíços na galeria Apollinaire de Milão.
Contemporâneo da arte Pop americana e britânica, desenvolve-se em França, sobretudo em Paris, paralelamente a essas tendências, "redefinindo os paradigmas da colagem, do ready-made, e do monocromatismo". O movimento reúne numerosos artistas que partem da utilização de materiais do quotidiano urbano, reciclados e agregados de modo a criar novos significados, novas formas de perceber/apreender o real. Juntamente com o Grupo Cobra, o Independent Group (Londres) e aInternacional Situacionista, o Nouveau réalisme pode ser considerado uma das formações mais importantes da neo-vanguarda europeia do pós-guerra.
O manifesto do movimento – Déclaration constitutive du Nouveau Réalisme –, é assinado por ArmanFrançois DufrêneRaymond HainsMartial RaysseDaniel SpoerriJean TinguelyJacques Villeglé, Pierre Restany (que redigiu o manifesto) e Yves Klein a 27 de Outubro de 1960. Esse manifesto constava de uma única frase: "Os Novos Realistas tornaram-se conscientes da sua identidade coletiva; Nouveau Realisme = novas perceções do real".
O movimento seria mais tarde ampliado pela adesão de CésarChristoGérard DeschampsMimmo Rotella e Niki de Saint Phalle, terminando oficialmente em 1970.


ierre Restany (24 June 1930 – 29 May 2003), was an internationally known French art critic and cultural philosopher.
Restany was born in Amélie-les-Bains-PalaldaPyrénées-Orientales, and spent his childhood in Casablanca. On returning to France in 1949 he attended the Lycée Henri-IV before studying at universities in France, Italy and Ireland. From their first meeting in 1955, Restany maintained a strong tie with Yves Klein (to whom is attributed Klein-blue).


CERES FRANCO (MARCHAND BRASILEIRA EM PARIS), MOSTRA OPINIÃO 65, MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO- MARCA DECISIVA DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA BRASILEIRA.
SÃO PAULO NOS ANOS 60 POSSUÍA UM MERCADO DE ARTE MENOS ATIVO, NELE A MAIOR ATIVIDADE SE DAVA NOS LEILÕES, ORGANIZADOR MARCHAND GIUSEPPE BACCARO.LEILÕES: INAUGURAÇÃO DE UMA GALERIA EM 1962 A SELEARTE, EM SOCIEDADE COM BIAGIO MOTTA.


Biografia
Giuseppe Baccaro (Roccamandolfi, Itália 1930). Marchand, galerista, colecionador, pintor e desenhista. Chega ao Brasil em 1956. Sua primeira atividade é editar um jornal para a colônia italiana de São Paulo, o Progresso Ítalo-Brasileiro. Nele, há uma sessão de arte, assunto pelo qual Baccaro logo se interessa. Ele procura e conhece Flávio de Carvalho (1899-1973), Tarsila do Amaral (1886-1973) e Anita Malfatti (1889-1964), os quais, segundo ele, encontra esquecidos em suas casas. Inaugura sua primeira galeria em 1962, na rua Augusta, com uma exposição do pintor naif Heitor dos Prazeres (1898-1966). O nome, Selearte, é tirado de uma revista de arte italiana. No mesmo ano, realiza uma exposição de Mira Schendel (1919-1988) e em 1964, uma mostra de Rossi Osir (1890-1959).
Nessa época, os leilões dominam o mercado de arte paulistano. Inicialmente, os de maior destaque são os leilões beneficentes do Hospital Albert Einstein, que têm início em 1961. Em 1965, Baccaro abre a Casa de Leilões e, assim, passa a ter uma participação importante no mercado. O galerista Antonio Maluf diz: "O mercado de arte era dominado pelos leilões beneficentes do Hospital Albert Einstein e pelos leilões comerciais do Giuseppe Baccaro. Ele foi o responsável pela verticalização do mercado".ARCO das rosas: o marchand como curador. Apresentação José Roberto Aguilar; texto Celso Fioravante. São Paulo: Casa das Rosas, 2001, p. 13.
Baccaro adquire diversas obras, de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Victor Brecheret (1894-1955), entre outros, muitas vezes em grandes quantidades. Ele é responsável pela volta à circulação da produção de vários artistas. Nesse sentido, seu nome está ligado à obra de Ismael Nery (1900-1934). Em 1965, cinco telas de Ismael foram incluídas na sala especial Surrealismo e Arte Fantástica da 8ª Bienal de São Paulo. A partir de 1966, quando há uma individual póstuma do artista na Petite Galerie do Rio de Janeiro, Baccaro e o marchand Francisco Terranova passam a difundir sua obra. Em 1967, Baccaro publica um artigo sobre o artista no único número da revista surrealista A Phala. Ainda nessa década, Baccaro, em conjunto com o marchand Benjamin Steiner, adquire um lote de 400 desenhos de Nery. Boa parte deles é vendida a colecionadores particulares paulistas. Em 1974, Baccaro é curador da mostra Ismael Nery - 1900 - 1934, que acontece no Museu de Arte de São Paulo Assis de Chateaubriand (Masp), com 104 desenhos do artista. Segundo a historiadora e crítica Aracy Amaral, a apresentação que Baccaro escreve é sensível e mística, condizente com Ismael.
Em 1966, Baccaro torna-se sócio de Pietro Maria Bardi (1900-1999) na galeria Mirante das Artes, localizada na esquina da rua Estados Unidos com a rua Augusta. No mesmo ano, funda a galeria Art Art, que, em seguida, passa às mãos do marchand Ralph Camargo. Este último é iniciado na carreira de galerista pelo italiano: "Baccaro é o marchand que eu mais respeitei, pela sua originalidade, força e conhecimento. Ele foi o inventor do mercado de arte no Brasil".3Mas Baccaro não se restringe à atividade de galerista: em 1968, expõe seus desenhos na Petite Galerie, Rio de Janeiro. No final da mesma década, a Galeria Art, São Paulo, expõe guaches de Chico da Silva (1910-1985). No modesto catálogo, Baccaro escreve um longo texto sobre o trabalho e sobre o artista.
Por volta de 1970, muda-se para Olinda, Pernambuco. Diz: "Eu estava cansado de vender obras caras para colecionadores ricos. Não é possível que 90% dos acervos no Brasil estejam em mãos de colecionadores particulares enquanto os museus estão à míngua" Ali, funda a Casa das Crianças de Olinda, instituição para crianças carentes. Em 1999, calcula-se que 200 crianças por ano são beneficiadas.  Em 2001, cerca de 21 mil crianças haviam recebido apoio da instituição.  Para financiar a construção da sede da instituição, Baccaro se desfaz de uma parte de seu acervo. O terreno é comprado com a renda obtida pela venda de 120 quadros de Ismael Nery. A edificação é uma réplica de uma vila italiana. As casas abrigam oficina, sala de aula e posto de saúde. Há também um anfiteatro em estilo romano para 1.200 pessoas e uma hospedaria para artistas populares. Além disso, Baccaro mantém uma biblioteca de 30 mil volumes, além de pinturas, gravuras, mapas, cartas e autógrafos.
Em Olinda, ele continua a atividade artística. Em 1986, expõe pinturas no Masp. E, no final dos anos 1980, integra o Atelier Coletivo, com Gilvan Samico (1928), Luciano Pinheiro (1946), Eduardo Corrêa de Araújo (1947), Guita Charifker (1936), José Cláudio da Silva (1932) e José de Barros (1943). Na primeira mostra do ateliê, a venda das obras é destinada à Casa das Crianças de Olinda e ao Movimento dos Meninos e Meninas de Rua de Pernambuco. Em uma exposição de 1990, Baccaro apresenta a pintura a óleo Morro, do mesmo ano. Um morro, contra um céu laranja, possui divisões mais ou menos geométricas feitas por linhas grossas de tinta escura e empastada e preenchimentos também empastados em cores avermelhadas ou verdes. Está entre a figuração e a abstração.
Ele renega sua atuação passada como marchand. Diz que está "(...) arrependido de ter abastecido livings de milionários".  É bastante criticado por alguns: "A primeira parte do decênio (1962 - 1972) foi dominada por Giuseppe Baccaro, o rei dos leilões, um modesto barbeiro dos arredores de Nápoles, que veio para São Paulo, trabalhou alguns meses no balcão de vendas da Bienal e descobriu um público heterogêneo, formado principalmente de estrangeiros, que gostava e comprava obras de arte moderna (...) O reinado de Baccaro foi até os últimos anos sessenta. Ele dominou o período como senhor absoluto do mercado, impondo bons e maus pintores, fixando coleções, comprando imensos lotes de quadros a preço de banana, colocando nas coleções os quadros mais caros. Baccaro só caiu diante de José Paulo Domingues da Silva (...) Tudo somado, foram dois reinados de muito abuso, mas serviram para colocar o mercado em marcha".
O período em que atua é marcado por alguns marchands fortes, como Benjamin Steiner, Franco Terranova e José Paulo Domingues. Segundo a galerista Raquel Arnaud: "Naquela época [1972] os leilões tinham um peso enorme, e pessoas importantes como o Benjamin Steiner e o Giuseppe Baccaro trabalhavam com isso". É então que surge José Paulo Domingues, cujo nome, na verdade, é Paolo Businco. Ele organiza leilões e funda a galeria Collectio. Pouco tempo depois descobre-se seu envolvimento em vários esquemas ilegais, inclusive nos leilões. Todo o período acaba manchado por esse embuste. Entretanto, apenas as acusações contra Businco são comprovadas.
Roberto Rugiero, marchand de arte popular, lembra-se do episódio e diz que Businco ocupa o espaço deixado por Baccaro, em torno de 1972. Segundo Rugiero, Baccaro é "(...) uma das pessoas mais cultas e mais bem informadas sobre arte(...)"  Ainda de acordo com Rugiero, ele é um dos últimos a tratar a arte popular em pé de igualdade com a arte moderna. Acrescente-se a isso o fato de recolocar em circulação muitos artistas modernos. Sua importância deve-se sobretudo à atuação como marchand e galerista, mas sua coleção é bastante interessante.

ENTRE AS GALERIAS DE ARTE EM SÃO PAULO, NO INÍCIO DA DÉCADA, SE DESTACAVAM:
GALERIA ATRIUM - DIREÇÃO EMI BONFIM
GALERIA AMBIENTE - RADHA ABRAMO

GALERIA SETA - MARCHAND ANTONIO MALUF - GALERIA SETA

Antônio Maluf (São Paulo17 de dezembro de 1926 — São Paulo, 26 de agosto de 2005) foi um artista plástico brasileiroilustrador e artista gráfico. Inicia seus estudos em engenharia civil e passa, posteriormente, a cursar a Escola Livre de Artes Plásticas, em São Paulo, dirigida por Flávio Motta 1916. Venceu o concurso para o cartaz da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e este é considerado um marco do design gráfico no país. O artista utilizava vários suportes e realizava pinturas murais e elementos modulares, atuando em colaboração com arquitetos como Vilanova Artigas (1915 - 1985), entre outros.

EXPOSIÇÕES DA GALERIA SETA

Abaixo apresentamos algumas das exposições promovidas pela Editora, Livraria e Galeria Seta, sob a direção do marchand Antonio Maluf
  • MARIA LEONTINA, setembro de 1972, catálogo com apresentação de Antonio Maluf

  • OTÁVIO ARAÚJO, outubro de 1972, catálogo com apresentação de Pietro Maria Bardi, exposição patrocinada por Antonio Maluf no MASP

  • UBIRAJARA RIBEIRO, novembro de 1972

  • NOEMA MOURÃO, dezembro de 1972, catálogo com apresentação de Antonio Maluf

  • LOURENÇO, maio de 1973, catálogo com apresentação de Renato Magalhães Gouvêa

  • 1o LEILÃO DE ARTE DE 1974 DA GALERIA SETA, setembro de 1974, tendo um quadro a óleo de Emiliano Di Cavalcanti - Mulher deitada (1927) como capa do catálogo. O evento disponibilizou 90 lotes ao público

  • 1o LEILÃO DE ARTE DE 1975 DA GALERIA SETA, março de 1975, tendo um quadro a óleo de Miguel dos Santos como capa

  • RODRIGO DE HARO, setembro de 1975

  • GUYER SALLES, 1976

  • FRANCISCO CUOCO, novembro de 1975, catálogo com apresentação de Pietro Maria Bardi

  • BRAMANTE BUFFONI, 1976

  • EVANDRO CARLOS JARDIM, 1976

  • PIERRE CHALITA, outubro de 1976

  • ANTONIO THYRSO, maio e junho de 1977, cartaz com apresentação de Carlos Motta

  • MARGOT DELGADO, junho de 1977

  • JOÃO CALIXTO, 1979

  • ELGUL SAMAD, 1979, 1981

  • FÁBIO MAGALHÃES, setembro de 1979

  • FLÁVIO IMPÉRIO, dezembro de 1979

  • RAÍZES, agosto e setembro de 1980 reunindo vários pintores primitivos

  • MACAPARANA, setembro 1980


  • GLÓRIA PECEGO e CLARA VAN de WATER, 1981

  • LEILÃO DE ARTE DA GALERIA SETA, realizado em 14 de outubro de 1981, oferecendo ao público obras de 56 artistas, e com a colaboração do leiloeiro Carlos Eduardo de Barros Rodrigues, e a reprodução de desenho do artista Belmiro de Almeida -Congraçamento Brasil-Portugal 1900 no convite

  • LEILÃO DE ARTE DA GALERIA SETA, realizado nos dias 7 e 9 de novembro de 1981, oferecendo ao público obras de 52 artistas, e com a colaboração do leiloeiro Carlos Eduardo de Barros Rodrigues, e a reprodução de uma figura feminina a óleo do pintor Alfredo Volpi no convite

  • JESUINO L RIBEIRO, 1980, 1983, 1986

  • MINO CARTA, exposição realizada em maio de 1983 no Museu de Arte de São Paulo (MASP), sob a organização da Galeria Seta

  • ANTONIO HÉLIO CABRAL, setembro de 1983, catálogo com texto de Leon Kossovitch

  • SONYA GRASSMANN, 1982 e 1986

  • MARIO GRAV BORGES, Agosto de 1984

  • HELIO SCHONMANN, junho e julho de 1985, com apresentação de Raphael Galvez

  • LUIZ VENTURA, 26 de novembro a 14 de dezembro de 1985

  • NELSON COLETTI, dezembro de 1985

  • CARMÉLIO CRUZ, abril e maio de 1986, catálogo com reprodução de comentários de Antonieta Sauter, Flávio de Aquino, José Geraldo Vieira, Theon Spanudis e Walmir Ayala

  • CHRISTINA G. DANTAS, setembro de 1986

  • STEPHAN ELEUTHERIADES, outubro de 1986

  • MINO CARTA, segundo semestre de 1986

  • CYBÉLE VARELA, novembro de 1986
(1962) FRANCO TERRANOVA INAUGUROU UMA FILIAL DA PETITE GALERIE EM SÃO PAULO. NOVO EMPREENDIMENTO SOB DIREÇÃO DE RAQUEL BABENCO, QUE SE INICIARA NAS ARTES VISUAIS COM PIETRO MARIA BARDI, DIRETOR DO MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO, MUITO INFLUENTE NAQUELA ÉPOCA.



Pietro Maria Bardi (La Spezia21 de fevereiro de 1900 — São Paulo10 de outubro de 1999) foi jornalista,historiadorcríticocolecionador, expositor e negociador de obras de arte. Pietro Maria Bardi ou simplesmente P.M. Bardi foi, junto com Assis Chateaubriand, o responsável pela criação do Museu de Arte de São Paulo (MASP), sendo seu diretor por 45 dedicados anos consecutivos.

SURGIMENTO NO SISTEMA DA ARTE LOCAL, DA FIGURA DE MARCHAND DE TABLEAUX -  SUA ATUAÇÃO NAS GALERIAS QUE SE INAUGURAVAM. INVESTIMENTOS DE CAPITAL, ADQUIRINDO OBRAS E INTERFERINDO NA CARREIRA DOS ARTISTAS. PROJETOS DE TRABALHOS COM CRÍTICOS, MUSEUS, SALÕES. ESTREITAS RELAÇÕES COM O CAMPO ARTÍSTICO CULTURAL.
"Atuavam como instância de legitimação e não apenas como revendedores ou intermediários na comercialização."P. 27

INTERFERIAM NA DETERMINAÇÃO DE PADRÕES DE ARTE E NA CRIAÇÃO DE VALOR PARA A OBRA A PARTIR DE SUA CIRCULAÇÃO. TRABALHO DESBRAVADOR DOS MARCHANDS, CRIANDO UM NOVO ESTILO DE RELAÇÕES NO SISTEMA DA ARTE, MAIS MODERNO E CORRESPONDENTE ÀS TRANSFORMAÇÕES QUE OCORRIAM NA ECONOMIA BRASILEIRA. VÁRIOS ERAM ESTRANGEIROS. PRINCIPALMENTE ITALIANA E FRANCESA - PAÍSES DE TRADIÇÃO NO CAMPO DA ARTE.* FATOR QUE CONTRIBUÍA NA CARREIRA DESSES PROFISSIONAIS.
  • CASAL BONINO
  • FRANCO TERRANOVA
  • JEAN BOGHICI
  • GIUSEPPE BACCARO
  • PIETRO MARIA BARDi
2 CONSIDERAÇÕES:
  1. BUSCA DE CONTATOS INTERNACIONAIS DOS ARTISTAS (EXPERIÊNCIA E KNOW-HOW)
  2. CAPITAL CULTURA E SOCIAL QUE POSSUEM (FORMAÇÕES NO EXTERIOR EM CENTROS DE MAIOR TRADIÇÃO CULTURAL E RELAÇÕES SOCIAIS QUE AQUI SE ESTABELECEM COM MUITOS ESTRANGEIROS RICOS QUE VIERAM PARA O BRASIL NO PÓS-GUERRA) - FORMANDO UM NÚCLEO CUJAS LIGAÇÕES COM AS ARTES FAVORECIA ESSAS ATIVIDADES.
"Outro elemento a considerar no processo de modernização do sistema da arte é sua repercussão nos meios de comunicação social, principalmente os JORNAIS, que nesse período tinham uma atuação em destaque, com COLUNAS DE ARTE  e publicando, ainda, ocasionalmente, ARTIGOS DE CRÍTICOS DE DESTAQUE." "Como havia críticos especializados escrevendo, além de informar sobre os eventos de destaque, essas colunas atuavam também, na formação do público." P.28

MANTENDO COLUNAS QUASE DIÁRIAS. UM CRÍTICO ESPECIALIZADO RESPONSÁVEL POR ESTAS COLUNAS:
JORNAL DO BRASIL - HARRI LAUS

O GLOBO - VERA PACHECO JORDÃO
Vera Pacheco Jordão nasceu em São Paulo e tornou-se carioca por opção. Especializou-se em literatura, foi professora e durante muito tempo trabalhou em uma editora onde selecionava livros estrangeiros para tradução e publicação no Brasil. Seu livro "Maneco, o byroniano", que foi editado pelos "Cadernos de Cultura" do Ministério da Educação, é uma coletânea de ensaios do melhor teor literário, o primeiro dos quais sobre Álvares de Azevedo. Tendo viajado pela Europa, escreveu crônicas deliciosas como a que agora apresentamos, extraída do livro "Antologia do Humorismo e Sátira", Editora Civilização Brasileira — Rio de Janeiro, 1957, pág. 399.

FOLHA DE S. PAULO - JOSÉ GERALDO VIEIRA E IVO ZANINI

ESPECIALISTAS: MARIO PEDROSA, ARACY AMARAL, GERALDO FERRAZ, CLARIVAL VALADARES.
Ana Sczulcz, Lygia Clark, Zélia Salgado, Carlos Felipe Saldanha e Mario Pedrosa.

O ESTADO DE S. PAULO - NÃO TINHA COLUNISTA FIXO, MAS TINHA ARTIGOS ASSINADOS POR ARACY AMARAL E GERALDO FERRAZ



Benedito Geraldo Ferraz Gonçalves, publicamente conhecido como Geraldo Ferraz (Campos Novos Paulista1905 — 1979), foi um escritorjornalista e crítico literário brasileiro. Fez parte do movimento modernista junto com Oswald de Andrade e Raul Bopp, participando como secretário da Revista de Antropofagia1929. Em 1933 fundou o jornal O Homem Livre e, juntamente com Mário PedrosaPatrícia GalvãoHilcar Leite e Edmundo Moniz, participou do jornal a Vanguarda Socialista durante os anos de 1940-46, foi também fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.
Trabalhou nos jornais A Tribuna de SantosO Estado de S. PauloFolha da Noite e Diário da Noite. Fundou e foi secretário do Correio da Tarde. Casado com Patrícia Rehder Galvão (Pagú) com quem teve um filho, Geraldo Galvão Ferraz.

COLUNAS DE ARTE DOS JORNAIS - DIVULGAÇÃO DAS MOSTRAS, BIENAIS E SALÕES.
CRIAÇÃO DE REVISTAS DE ARTE: PROCESSOS MODERNIZANTES - SOCIEDADE BRASILEIRA.
PUBLICAÇÕES ESPECÍFICAS DE ARTES, TOTALMENTE DEDICADAS ÀS ARTES VISUAIS. INOVAÇÃO INTRODUZIDA NESTE PERÍODO.MODERNIZAÇÕES QUE OCORRIAM NO SISTEMA DA ARTE.
1966 - A PRIMEIRA REVISTA TOTALMENTE VOLTADA  ÀS ARTES VISUAIS: GAM - GALERIA DE ARTE MODERNA - PUBLICADA NO RIO DE JANEIRO




APRESENTAVA UMA COLETÂNEA DE ARTIGOS DE ALTO NÍVEL, ESPECIALISTAS, INTELECTUAIS MAIS DESTACADOS DO SETOR, TEMAS VARIADOS, LINGUAGEM ERUDITA, REFERENCIANDO INFORMAÇÕES QUE EXIGIAM DO LEITOR CERTA BAGAGEM CULTURAL. NÃO TINHA MUITAS ILUSTRAÇÕES, BASTANTE ELABORADA EM TERMOS DE DIAGRAMAÇÃO. ARTE: ATIVIDADE DINÂMICA E MODERNA, PRÓPRIA REVISTA COMO UM EMPREENDIMENTO QUALIFICADO NO SETOR.

1967 - SÃO PAULO. REVISTA MIRANTE DAS ARTES - DIRIGIDA POR PIETRO MARIA BARDI. (DONO DA GALERIA MIRANTE DAS ARTES, DIRETOR DA REVISTA DE MESMO NOME E DIRETOR NO MAM/SP) ARTICULAÇÃO DE DIVERSAS INSTITUIÇÕES (OUTRA ORIENTAÇÃO DO SISTEMA DA ARTE).



Com 12 edições e periodicidade bimestral, iniciou seu percurso em janeiro/fevereiro de 1967 e encerrou seu ciclo em novembro/dezembro de 1968. A revista teve projeto gráfico de Lina Bo Bardi e seu logotipo foi desenhado por Wesley Duke Lee.O formato generoso da publicação, 32,5 x 23 cm fechada, possibilitava uma paginação diferenciada, e seu conteúdo estava sintonizado com a explosão da cultura de massa no Brasil – além de arte e mercado, trazia críticas e comentários sobre televisão, design, arquitetura, moda, publicidade, música e claro, fotografia.

DIVERSAS INSTITUIÇÕES DO CORPO MODERNIZANTE DO SISTEMA DA ARTE. DÉCADAS DE 50 E 60 - CONSOLIDARAM SEU ESPAÇO E SEU PAPEL.
MUSEU DE ARTE BRASILEIRA DA FAAP - 1961
MAC/USP - 1963
MAM DO RIO DE JANEIRO - 1967


Museu de Arte Brasileira (MAB) está localizado no prédio da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na Rua Alagoas 903, no bairo Pacaembu, na cidade de São Paulo. Foi inaugurado no dia 10 de agosto de 1961 com uma exposição intitulada "Barroco no Brasil" e contou com a presença de Jânio Quadros, então presidente da República.
A exposição inaugural reuniu pinturas, objetos feitos em ouro, imagens sacras e móveis. Para a ocasião, foram moldados em gesso os profetas feitos porAleijadinho para o pátio do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do CampoMinas Gerais, e também alguns portais de igrejas e residências mineiros e baianos. Até hoje esses moldes ocupam o saguão principal e são uma característica do lugar.
Outra marca do museu são os painéis de vitrais que ocupam uma parede e o teto do edifício. Um deles reúne 56 projetos de artistas brasileiros, como Lasar Segall,Bruno GiorgiCandido Portinari e Tarsila do Amaral. Em 1997, o museu passou por uma reforma em sua área administrativa e na Sala Annie Álvares Penteado, que ganhou climatização e foi modernizada.
Em sua área externa podem ser encontradas esculturas de Nicolas Vlavianos, Bruno Giorgi e Brecheret, entre outros. O museu também abriga exposições temporárias, destinadas a mostrar as tendências da arte contemporânea brasileira.
O museu surgiu com a proposta de reunir e conservar um acervo de obras de artistas brasileiros ou radicados no Brasil. Atualmente, conta com cerca de 2600 obras de arte, entre elas obras acadêmicas, registros da vida interiorana feitos por artistas primitivos, testemunhos da ruptura causada pela Semana de Arte Moderna em 1922, experiências das várias tendências da arte abstrata dos anos 50 e 60 e investigações dos rumos que todas essas manifestações tomam nos dias de hoje.
Possui também trabalhos de vários artistas ligados ao Modernismo, como Di Cavalcanti, Brecheret, Tarsila do Amaral, Cícero Dias, Lasar Segall, Ernesto De Fiori,Alberto da Veiga GuignardAlfredo VolpiIsmael Nery e Anita Malfatti, além de artistas de períodos posteriores como Tomie OhtakeEvandro Carlos Jardim,Arcângelo IanelliFranz WeissmannAmílcar de Castro e Nicolas Vlavianos, como também de jovens artistas atuantes na arte brasileira de hoje, como Sandra Cinto,Albano Afonso e Cláudio Mubarac.


Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) é uma instituição ligada ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária, voltado à produção artística nacional e estrangeira. Com sede nocampus central da Universidade de São Paulo, além de seu espaço histórico no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, constitui um importante centro de pesquisa e de formação educacional.
O MAC possui a mais importante coleção da América Latina especializada na produção ocidental do século XX. Conta com cerca de 10 mil obras - entre óleos, desenhos, gravuras, esculturas, objetos e trabalhos conceituais - consistindo em um grande patrimônio cultural com decorrências nacionais e internacionais.

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) é uma das mais importantes instituições culturais do Brasil. Localiza-se na cidade do Rio de Janeiro, no Parque do Flamengo, próximo ao Aeroporto Santos Dumont. Seu edifício-sede, a obra mais conhecida do arquiteto carioca Affonso Reidy, segue a orientação da arquitetura racionalista, destacando-se pelo emprego de estruturas vazadas e pela integração com o entorno.
museu foi inaugurado em 1948, por iniciativa de um grupo de empresários presidido por Raymundo Ottoni de Castro Maya. É uma organização particular sem fins lucrativos, fruto do contexto cultural e econômico que o Brasil vivenciou no segundo pós-guerra, em que se observou a diversificação dos equipamentos culturais deste país, a aquisição de um valioso patrimônio artístico e a assimilação das correntes artísticas modernas.
Palco de diversos acontecimentos de grande relevância na vanguarda artística brasileira, o museu amealhou ao longo de sua história uma coleção de arte moderna altamente representativa - a maior parte, entretanto, perdida no trágico incêndio de 1978. Conserva hoje aproximadamente 11 mil objetos, grande parte proveniente da Coleção Gilberto Chateaubriand, depositada em regime de comodato no museu em 1993.
RESPONSÁVEIS PELA DIFUSÃO E LEGITIMAÇÃO DAS NOVAS TENDÊNCIAS. ESTREITAS LIGAÇÕES. CONCORRÊNCIA ENTRE SI.ESTADO, VERBAS PÚBLICAS - INSTITUIÇÕES APARENTEMENTE PRIVADAS (SOCIEDADES CIVIS SEM FINS.  LUCRATIVOS). MECENATO ESTATAL DAS ARTES VISUAIS.GERENCIAMENTO PARTICULAR CONDUZIDO COM MÃO DE FERRO:
  • CICCILO MATARAZZO - BIENAL DE SÃO PAULO
  • ASSIS CHATEAUBRIAND - MASP
  • TEREZINHA MUNIZ SODRÉ - MAM/RJ
VERBAS PÚBLICAS - INJETADAS PELO ESTADO. CONSTRUÇÃO E MANUTENÇÃO DOS PRÉDIOS, FORMAÇÃO DOS ACERVOS, REALIZAÇÃO DE EVENTOS.

Francisco Antônio Paulo Matarazzo Sobrinho, mais conhecido como Ciccillo Matarazzo, (São Paulo20 de fevereiro de 1898 — São Paulo16 de abril de 1977) foi um industrial e mecenas ítalo-brasileiro.
Filho de Andrea Matarazzo um dos irmãos do conde Francesco Matarazzo.
Casou-se em 1943, no México, com Iolanda Penteado, desquitada de Jayme da Silva Telles.
Foi diretor de empresas de diversos ramos em São Paulo e foi grande incentivador das artes plásticas. Fundou, em 1946, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e, em 1951, a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, entidade que presidiu até a data de sua morte. Foi também também um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e dos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz.


Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, (Umbuzeiro4 de outubro de 1892 — São Paulo4 de abril de 1968) foi um dos homens públicos mais influentes doBrasil nas décadas de 1940 e 1960, destacando-se como jornalistaempresáriomecenas e político. Foi também advogadoprofessor de direitoescritor e membro da Academia Brasileira de Letras.
Chateaubriand foi um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, dono dos Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica.  Também é conhecido como o co-criador e fundador, em 1947, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), junto com Pietro Maria Bardi, e ainda como o responsável pela chegada da televisão ao Brasil, inaugurando em 1950 a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi. Por seu empenho contra a entrada do capital estrangeiro no país e seu nacionalismo econômico foi visto como ameaça pela CIA que financiou Roberto Marinho depois que uma empresa de SP não lhe fez aliança (talvez por que na altura não enxergou o impacto que uma capitalização daquele tamanho para sair do sector impresso para a televisão fosse causar mesmo na história da geoconcentração midiática no contexto do país). Foi Senador da República entre 1952 e 1957.
Figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand já foi chamado de Cidadão Kane brasileiro, e acusado de falta de ética por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por insultar empresários com mentiras, como o industrial Francisco Matarazzo Jr . Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada porém rentosa com o Presidente Getúlio Vargas.

INSTITUIÇÕES CRIADAS E FORTALECIDAS. MAC/USP - REALMENTE ESTATAL. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO.UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. RELAÇÃO ÍNTIMA DO ESTADO COM AS ARTES VISUAIS. AUTORIDADES PÚBLICAS, PRESIDENTES, GOVERNADORES, MINISTROS. INAUGURAÇÕES DE EXPOSIÇÕES, SALÕES OU BIENAIS.JÂNIO QUADROS, GOVERNADOR DE SÃO PAULO.  

BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO: PRESIDENTE DA REPÚBLICA. IMPORTÂNCIA E O DESTAQUE DESSES EVENTOS NO PANORAMA CULTURAL.

Jânio da Silva Quadros foi um político e o vigésimo segundo presidente do Brasil, entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou.

GOLPE DE 1964: MILITARES AO PODER. NOVA DINÂMICA NA SOCIEDADE BRASILEIRA, NOVO MODELO POLÍTICO E ECONÔMICO APÓS O GOLPE.RESISTÊNCIA NOS SETORES SOCIAIS. DISPUTAS ENTRE OS DIFERENTES SEGMENTOS SOCIAIS. GRUPOS INSATISFEITOS COM O GOVERNO AUTORITÁRIO. ESTRATÉGIAS DE SUBVERSÃO CONTRA O GOVERNO DA DITADURA MILITAR. MOBILIZAÇÃO NO MEIO ARTÍSTICO CULTURAL, DIRETAMENTE INFLUENCIADO POR SETORES DA CLASSE MÉDIA URBANA E A CLASSE DOMINANTE DESCONTENTE.PERSPECTIVA DE POSSÍVEL MUDANÇA. OBJETIVO BÁSICO: QUESTIONAR E FREAR O AUTORITARISMO.

FERMENTAÇÃO ENTRE 1964-1969 NA CULTURA BRASILEIRA. DISPUTAS NO SISTEMA DA ARTE. MANIFESTAÇÕES DE SUBVERSÃO.ATIVARAM MOBILIZAÇÕES SOCIAIS FAVORECENDO MAIOR PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO NOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO, CIRCULAÇÃO E CONSUMO DE ARTE. DESESTABILIZAÇÃO DA TRADICIONAL FUNÇÃO DE DISTINÇÃO SOCIAL.SEGMENTOS DO SISTEMA DA ARTE QUESTIONAVAM O ELITISMO. REFERENCIAL: VANGUARDAS INTERNACIONAIS MAIS CRÍTICAS: POP ART E NOVA FIGURAÇÃO.

Pop art ou Arte pop é um movimento artístico surgido na década de 60 na Inglaterra mas que alcançou sua maturidade na década de 80 em Nova York.

No fim da década de 1970 e princípio da década de 1980, começa a existir um movimento de regresso à figuração, depois do abstracionismo. Este movimento, a Nova figuração, teve tantas denominações como os diferentes países onde surgiu: Novos Expressionistas ou Novos Fauves na Alemanha, Trans-Vanguarda em Itália, Bad-Painting nos Estados Unidos e Figuração livre em França. Em comum, o já referido regresso à pintura-pintura, ao cavalete, à paleta, aos pincéis, às cores acrílicas e óleo. Os artistas representantes deste movimento, demonstraram um retorno às preocupações político-sociais, à questão da sexualidade, ao humor, às expressões mais populares, sendo estas transmitidas para a tela. Dão primazia à figuração, à fantasia, à liberdade de expressão com formas familiares em vez da abstração e do conceito. Esta nova forma de expressão está diretamente relacionada com alguns dos movimentos estéticos anteriores, tais como o expressionismo, o grupo Co.Br.A. (Copenhaga, Bruxelas, Amesterdão), a denominada Arte Bruta ou mesmo a arte popular, ao mesmo tempo que vai buscar a sua inspiração à cultura dos jovens, à cultura popular dos mass-media, a Banda Desenhada, à música rock, a TV ou as Belas Artes. Enfim a toda uma multidão de cultura emergente que serve de base a este movimento. Neste contexto, importa também destacar, a cultura da arte de rua ou a arte urbana à qual as novas figurações estão diretamente ligadas: o graffiti, os Tags, os Pochoirs (técnica em que o negativo de um desenho ou fotografia é afixado numa parede). Jean-Michel Basquiat e Keith Haring são os mais ilustres representantes deste movimento nos Estados Unidos.

ESPAÇOS INSTITUCIONAIS SE ABRIRAM A VANGUARDA. SALÕES QUE ROMPERAM COM OS PADRÕES MAIS TRADICIONAIS.  SALÕES FINANCIADOS COM VERBAS PÚBLICAS OU PRIVADAS.CARÁTER ABERTO E DEMOCRÁTICO. ARTISTAS USARAM ESTES ESPAÇOS PARA DIFUNDIR IDEIAS DE PARTICIPAÇÃO E QUESTIONAMENTO.

Salão da Bússola (1969 : Rio de Janeiro, RJ)


  • Ficha Técnica
  • Júri
    Frederico Morais
    Mario Schenberg
    Walmir Ayala 
    Participante
    Adriano de Aquino
    Angelo de Aquino
    Anna Bella Geiger
    Antonio Henrique Amaral
    Antonio Manuel
    Artur Barrio
    Ascânio MMM
    Carlos Vergara
    Cildo Meireles
    Evany Fanzeres
    Guilherme Vaz
    Lothar Charoux
    Luiz Alphonsus
    Mirian Monteiro
    Nelson Augusto
    Odetto Guersoni
    Odila Ferraz
    Raymundo Colares
    Thereza Simões
    Vera Motlis Roitman
    Wanda Pimentel
    Zaluar 

SALÃO DA BAHIA. ESPAÇO DE EXPOSIÇÃO NOVO E OUSADO EM ARTES VISUAIS. NOVA DINÂMICA. PÚBLICO MAIOR E MAIS DIVERSIFICADO. ESTRUTURAS MAIS FLEXÍVEIS. VEIO À TONA UMA PRODUÇÃO MAIS OUSADA. POSSIBILIDADES DE APRESENTAÇÃO DE OBRAS QUE POR SUAS CARACTERÍSTICAS DE EXECUÇÃO NÃO TERIAM POSSIBILIDADES DE EXIBIÇÃO EM MUSEUS OU GALERIAS MAIS TRADICIONAIS.OBRIGATÓRIO USO DE TERNO NAS VERNISSAGES DOS MUSEUS. EVENTOS DAS VANGUARDAS: HÉLIO OITICICA (1965) PARANGOLÉS VESTIDOS POR PASSISTAS DA ESCOLA DE SAMBA MANGUEIRA. FREDERICO MORAES "DOMINGOS DE CRIAÇÃO" NA ÁREA EXTERNA DO MAM/RIO DE JANEIRO.





LINK DO VÍDEO SOBRE OS DOMINGOS DE CRIAÇÃO DE FREDERICO MORAES: http://curtadoc.tv/curta/artes/um-domingo-no-mam/

MERCADO SE ARTICULOU A ESSAS INOVAÇÕES. JEAN BOGHICI DA GALERIA RELEVO APOIOU JOVENS ARTISTAS DA VANGUARDA CARIOCA. MARCO NAS ARTES VISUAIS NESSE PERÍODO.  PRODUÇÃO BASTANTE POLITIZADA. GRUPO NOVA OBJETIVIDADE COM ARTISTAS INICIANTES E OUTROS JÁ CONSAGRADOS.

Galeria Relevo (Rio de Janeiro, RJ)





Antonio Manuel Lima Dias, mais conhecido como Antonio Dias é um artista plástico e multimídia brasileiro. Estudou com Osvaldo Goeldi, no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Rubens Gerchman foi um artista plástico brasileiro, descente de suecos, ligado a tendências vanguardistas como o pscicodelismo e influenciado pela arte concreta e neoconcreta. O artista usou ícones de futebol, televisão e política em suas obras.


Pedro Geraldo Escosteguy foi um artista plástico e poeta brasileiro. Formou-se em Medicina em 1938, mas na década de 1950 integrou o Grupo Quixote e publicou os livros Cantos à Beira do Tempo, e A Palavra e o Dançarino.
Mário Xavier de Andrade Pedrosa (Timbaúba25 de abril de 1900 — 05 de novembro de 1981) foi um militante político e crítico de arte e literatura brasileiro, iniciador da crítica de arte moderna brasileira e das atividades da Oposição de Esquerda Internacional no Brasil, organização liderada por Leon Trótski.

ESTRATÉGIAS DE SUBVERSÃO INTERNAS AO SISTEMA. DEMANDAS DA SOCIEDADE. AÇÕES POLÍTICAS.EXPERIÊNCIAS FORMAIS. PRÁTICAS DE AÇÃO.
VANGUARDA=NOVO, DISPUTANDO ESPAÇOS E OUTROS PÚBLICOS. ALCANCE LIMITADO ÀS DISPUTAS DE PODER DENTRO DO SISTEMA DA ARTE. EXPOSIÇÃO DE ABSTRACIONISTAS, PRIMITIVOS E MODERNISTAS. MESMAS INSTITUIÇÕES: VANGUARDA E EXPOSIÇÕES MAIS TRADICIONAIS. NOVA PRODUÇÃO: FATORES DE LEGITIMAÇÃO DE CORRENTES DE FORA DO PAÍS, VEZES CONTRADITÓRIAS EM RELAÇÃO ÀS QUESTÕES LOCAIS.QUESTIONADORAS, POLITICAMENTE COMPROMETIDAS.MAS DENTRO DOS LIMITES DO SISTEMA. CIRCUITO RESTRITO DE CIRCULAÇÃO, SECUNDÁRIAS NA DIVULGAÇÃO DE ARTE.1960: COMPLEXA E CONTRADITÓRIA. POR UM LADO: EMERGÊNCIA DO MERCADO MODERNO DE ARTE E MANUTENÇÃO DE GRANDE PARTE DO SISTEMA DA ARTE ÀS MARGENS DAS DISPUTAS SOCIAIS E POLÍTICAS DO PAÍS. POR OUTRO LADO: AÇÃO DE SEGMENTOS DE VANGUARDA, DISPUTAS DENTRO DO SISTEMA, PRÁTICAS MAIS PARTICIPATIVAS E POLITIZADAS, PREOCUPAÇÃO TEMÁTICA ENGAJADA, AMPLIAÇÃO DO ACESSO ÀS OBRAS A CAMADAS MAIS AMPLAS DA POPULAÇÃO.